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De Itapocorói ao Desterro

Depois de passar alguns dias na Armação de Itapocorói, onde fez importantes anotações, Auguste de Saint-Hilaire encontrou dificuldade para prosseguir a viagem até a Ilha de Santa Catarina. “Como todo mundo me tivesse garantido que o caminho que vai de Itapocorói até o ponto que defronta com a Ilha de Santa Catarina era muito ruim e apresentava muitas dificuldades para o transporte de cargas, resolvi fazer a viagem pelo mar. O administrador da Armação fez questão de me emprestar um dos barcos que serviam para a pesca e por volta das nove horas da manhã eu parti com seis remadores e um timoneiro, que eu havia contratado por 1920 réis cada um. O tempo estava magnífico, e a beleza do céu, a placidez do mar e o verdor dos morros tornaram muito agradável a viagem. Os remos só foram usados nas primeiras horas, porque depois o vento mudou para nordeste, e ainda não eram nove horas da noite quando entramos na baía de Santa Catarina”. A partida de Itapocorói: “Ao passarmos diante de uma pequena cruz (Ponta da Cruz) fincada entre algumas pedras que se elevavam pouco acima da água, os meus remadores se puseram a pé, tiraram o chapéu e fizeram uma prece à Virgem e às almas do Purgatório pelo feliz desfecho da nossa viagem. À medida que avançávamos, eles me diziam os nomes das pontas de terra e as enseadas pelas quais íamos passando. A primeira a aparecer depois da Ponta da Vigia tem o nome de São Roque. Depois da Ponta do São Roque vem uma pequena enseada e a seguir a Ponta do Cantagalo. Entre esta e a Ponta Negra não existe propriamente uma enseada. Ao sul da Ponta Negra ficam a enseada (Prainha de São Miguel) e a Praia de Itajaí. Ao longe, à medida que passávamos por elas, a Ponta do Cabeçudo (Cabeçudas), a Praia Brava, a Ponta do Cambriaçu (Camboriú), a Ponta da Taquara, a enseada das Garoupas (Porto Belo), onde na ocasião acabava de estabelecer uma colônia de pescadores vindos da aldeia de Ericeira, em Portugal, a Ponta do Cachaçudo (Caixa d’Aço). A enseada das Bombas e finalmente, a ponta do mesmo nome que é muito extensa”. Observamos que Itajaí ainda não era referência na descrição de Saint-Hilaire, porém estava por começar, pois ele mesmo conhecera seu fundador quando se avistava com o governador da Província naquela viagem. (Lembramos que também faz 200 anos da visita de Saint-Hilaire)

Memórias & Fatos
Cláudio Bersi de Souza é um escritor, romancista, historiador e cronista brasileiro. Considerado o mais prolífico autor de Penha, Bersi começou a publicar nos anos 1980, após uma carreira como marinheiro em embarcações pesqueiras. Seu primeiro livro foi lançado em 1984, "Um beijo na Tempestade". A esses se seguiram "Uma Luz na Solidão" (1988), "Muralhas de Água" (1992), "Penha: A história para Todos" (1995), "Pirajá" (1999) e "Piçarras de Todos os Tempos" (2000).
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