Home Colunistas Há Controvérsias Brasil mortal – parte 1

Brasil mortal – parte 1

Brasil mortal – parte 1
O Brasil tem 12 assassinatos de mulheres por dia. Uma mulher morre a cada duas horas: 5190 assassinadas ao ano. Foram 135 estupros diários; 49.497 casos de violência sexual. Os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública são referentes ao ano de 2016. O número, contudo, deve ser maior, já que a maioria das mulheres têm medo ou vergonha de denunciar a violência sofrida. O Brasil ocupa a quinta posição em número de feminicídios num ranking de 83 países.

Brasil mortal – parte 2
O Brasil registrou recorde de mortes violentas em 2016. Foram 61.619 vítimas fatais, uma média de sete pessoas assassinadas por hora. Os dados tabulados pelo Fórum Brasileiro da Segurança Pública consideram os homicídios dolosos, os latrocínios, as lesões corporais seguidas de morte e as mortes decorrentes de intervenções policiais. Uma alta de 4% em relação a 2015.

Brasil mortal – parte 3
Entre os países que não estão em guerra, o Brasil tem a quinta maior taxa de homicídios de adolescentes do planeta, de acordo com recente relatório do Unicef. Em números absolutos, o Brasil é o sétimo país onde mais se matam jovens no mundo. O índice é de 59 mortes para cada 100 mil garotos com idade entre 10 e 19 anos. O mais assustador é que morrem mais adolescentes na América Latina e no Caribe do que em países que vivem a guerra, como a Síria.

Negros, as maiores vítimas
A cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. De acordo com o Atlas da Violência 2017, homens negros têm 23,5% mais chances de serem assassinados em relação a brasileiros de outras raças. Se analisarmos as mortes de mulheres negras, o número também impressiona. Enquanto a mortalidade de mulheres brancas, amarelas e indígenas caiu 7,4% entre 2005 e 2015, entre as mulheres negras o índice de assassinatos subiu 22%.

Ciclo da violência
“Os homicídios são só a última etapa de um ciclo de violência a que crianças e adolescentes estão expostos desde a primeira infância. O relatório nos diz que a maioria dos homicídios contra adolescentes não acontece em países que estão em conflito, como a Síria. O Brasil encontra-se entre aqueles com as taxas mais altas de homicídios de adolescentes do mundo,” explica Florence Bauer, representante do Unicef no Brasil.

Choque de realidade
Esse é o Brasil real, que não oferece presente e condena o futuro de crianças e jovens. É o Brasil que transcende discursos e promessas de políticos porque é feito de números. Os brasileiros estão morrendo e virando estatística. Apesar desse massacre diário, não vemos qualquer reação da sociedade. Também não enxergamos qualquer fomento de políticas públicas que visem, ainda que a longo prazo, diminuir essa mortandade.

Cortina de ódio
O legislativo tem se debruçado numa pauta conservadora que, além de não resolver nossos problemas, ainda dá marcha à ré, provocando a perda de direitos conquistados. O executivo está preocupado em salvar a pele do presidente da República acusado de crimes. Temer se safou da segunda investigação em meses, oferecendo dinheiro público para direcionar o voto de deputados. Enquanto isso, mistura-se religião com assuntos do Estado, aquele que deveria ser laico. Prega-se o preconceito ao invés da tolerância. Nega-se o racismo e o machismo, mas ambos matam. E os valores democráticos perdem espaço num cenário onde já há quem torça pela volta da ditadura.

Brasil da desesperança
O desemprego assola 14 milhões de trabalhadores. Há quase 50 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha de pobreza, ou seja, mais de 20% da nossa população sobrevive sem as mínimas condições de dignidade. É o país onde o gás de cozinha, um item essencial para qualquer família, já acumula alta de 15,58% no ano. Já o salário mínimo recebeu a segunda previsão de baixa para 2018. De R$ 979 baixou para R$ 969 e, agora, para R$ 965.

Um desserviço
Enquanto o Brasil sem esperanças patina, no plano local há vereadores tentando ditar regras de comportamento e opinando sobre Educação. Tentam interferir nos Planos Municipais de Educação com argumentos preconceituosos e moralistas. Um se insurge contra os gibis da Turma da Mônica porque teriam “ideias maldidas”. Outro quer vetar aulas de educação sexual. Tem o que quer censurar aulas sobre política e até um mais ousado que prometeu batalhar contra a propaganda de uma marca de sabão que prega a liberdade das crianças brincarem. Não bastasse o ridículo da postura obscurantista, alguém tem que lembrá-los que o legislativo trabalha em prol de TODA a sociedade.

Sejam republicanos
Vereador a fim de fazer moral com os fiéis da igreja, com seu círculo social ou com os amigos de clube não pode usar a câmara de vereadores para isso. Plano de Educação é elaborado por técnicos, pessoas com formação na área da Educação, observando o que preconiza a Lei de Diretrizes e Bases da Educação e o Plano Nacional de Educação. Sempre respeitando, é claro, os princípios estabelecidos na nossa lei maior, a Constituição Federal. No mais, como membros do legislativo, deem o exemplo. Respeitem a liberdade, a tolerância, a solidariedade, as manifestações culturais, as escolhas pessoais e religiosas de todos. Estamos aqui para conviver em paz e com respeito ao próximo.

O perigo não é a escola
A infância corre risco no Brasil, mas não por causa de educação sexual, ideologia política, histórias em quadrinhos ou propagandas que preguem a igualdade de direitos. A infância corre riscos porque a violência mata cada vez mais jovens. Corremos riscos porque meninas e mulheres são estupradas e mortas num país ainda dominado pelo machismo. Corremos riscos porque os jovens não conseguem se inserir no mercado de trabalho e porque a miséria marginaliza grande parte dos brasileiros. A educação livre de tabus, plural, solidária, tolerante ajuda a formar cidadãos críticos e conscientes de seus direitos e deveres.

Garantir nossos direitos
Vereadores e deputados, esperamos que os senhores, assim como o presidente Michel Temer, se debrucem sobre os problemas reais que assolam o Brasil: a violência, o desemprego, a crise econômica, a miséria, dificuldades no acesso à saúde pública, falta de vagas em creches e escolas, a destruição da Amazônia e agora a venda das nossas riquezas nacionais. No mais, respeitem e defendam as leis da República. Ninguém precisa de direitos a menos. É para frente que se anda.

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