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Incivilidades nossas de cada dia

A feira lotada e as frutas e verduras já rareando.
Uma senhora chega e lamenta:
– Acabaram os morangos? Só ficaram os feios…
– Sim, hoje foi quase tudo, confirma o feirante.
Contrariada, pega duas caixas de morangos murchos.
Na fila para pagar, as pessoas conversam enquanto esperam.
Outra senhora, que chegou a tempo de garimpar morangos melhores, larga as bandejas por um instante.
O feirante a chama para pagar.
Distraída, esquece por um momento os morangos e vai passando as compras. Até que a outra mulher, a dos morangos ruins, sorrindo, fala:
– Você esqueceu seus morangos.
E repassa as frutas.
Ela agradece e, instintivamente, olha as bandejas. Seus morangos agora eram feios.
A outra mulher desvia o olhar, enquanto segura firme seus morangos; agora lindos.

Cinza
Os gramados acabam substituídos por pisos, as árvores por plantas ornamentais, e as sombras e os jardins se tornaram uma raridade. Caminhar será sempre sob o sol e o calor. Ver passarinhos comendo frutas ou fazendo ninhos já é impossível. Estacionar tem que ser sob o sol escaldante de ruas de asfalto. Como não temos parques e as poucas praças são pouco arborizadas, está cada vez mais difícil desfrutar de uma sombra…

Exemplo
O poder público poderia tomar frente, incentivando o cultivo de árvores nativas. Arborizando passeios, avenidas, praças e parques. A Fundação de Meio Ambiente de Itajaí, infelizmente, se mostra mais solícita a autorizar e justificar os cortes de árvores, do que a protagonizar a arborização da cidade. Aliás, uma curiosidade, alguém sabe onde são plantadas as árvores “negociadas” em processos de corte de vegetação nas autorizações liberadas pela Famai? Nunca tivemos informação sobre o desfecho dessas compensações.

Fatos
Exemplo corriqueiro foi o do corte de um pinheiro que já fazia parte da paisagem da rua Olimpio Miranda Junior, esquina com a 15 de Novembro, no centro de Itajaí. Um lojista solicitou o corte da árvore, frente à sua vitrine. Segundo ele, havia risco de queda. A Famai prontamente autorizou, mas exigiu como contrapartida que fosse plantada uma muda de ipê no local. A derrubada foi em abril. Até hoje, quatro meses depois, a árvore não foi plantada. O comerciante alega “dificuldades” em achar uma muda com as características exigidas. A Famai não teria dado prazo para que a medida seja cumprida.

Voluntários
E neste mundo cada vez mais árido, o protagonismo fica para as pessoas que, voluntariamente, se preocupam em deixar nossas cidades mais agradáveis de viver. Recentemente, o DIARIoticiou o trabalho do grupo de voluntários Plantando Por Aí. Eles cultivam mudas de espécies nativas e frutíferas. Distribuem gratuitamente as mudinhas e as plantam em áreas públicas. Tudo sob a supervisão de um engenheiro ambiental, também voluntário.

Ação
Há anos a pracinha do Relógio do Sol, no bairro Fazenda, carece de um projeto de arborização. Famai, secretaria de Obras ou Urbanismo jamais plantaram qualquer árvore, mesmo havendo mudas sendo cultivadas nos viveiros do município. Manhã dessas, a vizinhança da rua Camboriú se surpreendeu com a chegada do grupo de voluntários. Cedinho, vieram plantar na praça onde é quase impossível sentar à sombra. Graças a eles, ali crescerão ingás, aroeiras, tucaneiras e calaburas.

Piedade
Semana traumática em Itajaí. A prefeitura quis resolver o problema crônico do transporte Coletivo na virada de uma madrugada, sem qualquer aviso prévio ou explicação. Solução milagrosa sabemos que não existe, e é natural que qualquer mudança, depois de 53 longos anos de uma mesma rotina, traria dúvidas e dissabores. Só que mais transparência e informação ajudariam no processo.

Critério
Que a Coletivo era incompetente e vinha tocando o serviço de forma temerária, todo mundo já sabe. Agora, que a questão seja resolvida a portas fechadas, sem qualquer discussão, parece estranho. Chama a atenção o fato de as alegações da Coletivo sobre a dificuldade de tocar o transporte sejam consideradas só agora, quando outra empresa assume o mesmo discurso. Se um edital ainda vai ser lançado para definir o projeto ideal de transporte coletivo, porque já estão acontecendo mudanças estruturais no sistema?

Números
Todos se revoltaram com a diminuição de linhas repentina da Coletivo, que alegou medidas de contenção, desde o ano passado. Essa, aliás, foi a razão da ira do itajaiense contra o serviço de transporte. A prefeitura chegou a autuar a Coletivo porque estava com somente 47 linhas nas ruas. Agora, a Transpiedade diz que Itajaí não necessita de 50 carros para transportar “apenas” 400 mil passageiros ao mês. E está tocando o serviço com 15 veículos. O resultado é o caos que temos visto nas ruas.

Pior
Outra novidade. O município proibiu ônibus intermunicipais, como a Praiana, de pegarem usuários nas ruas centrais, a partir de setembro. Estudantes que transitam entre Itajaí e BC, trabalhadores que se deslocam entre as duas cidades, vão pagar duas passagens para chegar ao mesmo destino. Mais uma vez, a conta vai sobrar pra quem mais precisa do transporte público. Tomara que a Transpiedade não consiga o feito inédito de fazer o itajaiense sentir saudades da Coletivo.

Sombra
Já reparou como as sombras são disputadas em qualquer dia de sol? Nos bancos das praças, nas raras ruas arborizadas, nos pátios de estacionamentos, nas escolas? Árvores frondosas, com copas generosas, quase sumiram das cidades asfaltadas e concretadas. Árvores ocupam espaço e há quem as derrube por mais vagas de estacionamento. Elas também perdem folhas. Daí dizem que “sujam” as calçadas. Árvores exigem podas, pois precisam crescer saudáveis e distantes de tubulações de esgoto e da fiação elétrica. Para o senso comum, então, “árvores dão trabalho”.

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