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BC de todas as cores

O sol nasceu para todos

No mínimo intransigente a postura da prefeitura de Balneário Camboriú ao tentar, mais uma vez, vetar a Parada Gay. Desfile tradicional no Brasil e no mundo há várias décadas. Dia de celebrar o orgulho LGBT, que nada mais é do que comemorar o respeito à escolha sexual de todas as pessoas. Festa alegre, colorida, que tem tudo a ver com o espírito cosmopolita de Balneário Camboriú. Quem já curtiu a parada sabe que ela nada tem de pornográfica ou imoral. Pelo contrário, festa divertida, promovida por gente feliz e bem resolvida.

Debate necessário
Palmas à prefeitura de Itajaí que promoveu esta semana o sexto dos sete encontros planejados para debater o futuro com a comunidade. Através das reuniões, organizadas seguindo uma metodologia de pesquisa da Univali, empresários, profissionais liberais, lideranças comunitárias, representantes de partidos políticos e de movimentos sociais, universitários, comerciantes, policiais e outros diversos convidados têm se encontrado para discutir a Itajaí do futuro.

Rumo a 2040
Meio Ambiente, Bem-Estar Social e Saúde, Educação, Economia, Infraestrutura e Serviços são os temas debatidos pelos participantes, que se dividem em grupos para chegarem numa lista de sugestões que gostariam de ver implantadas em Itajaí, a partir de agora até o ano de 2040. Na mesma reunião, cada grupo apresenta suas conclusões aos demais presentes. A partir daí, os dados serão compilados e os pesquisadores vão organizar um planejamento que servirá não só ao atual prefeito, mas também aos que virão.

Mix de gente
Um dos coordenadores do PEMI (Planejamento Estratégico do Município de Itajaí), Alcides Volpato, explica que o trabalho, ao final, vai ter contado com a participação de cerca de 400 lideranças da cidade. Pessoas de todas as classes sociais, de distintos graus de instrução, dos mais diversos credos, de diferentes bairros, homens e mulheres que têm em comum viver em Itajaí. Uma iniciativa que devolve à comunidade o poder de participar da administração pública.

Mas resolve?
Cedo para saber se o trabalho vai ser concluído com sucesso, se será mesmo seguido pelo governo Volnei Morastoni ou seus sucessores. Afinal, até 2040, muitos e muitos prefeitos administrarão Itajaí. De toda forma, a iniciativa é válida pelo resgate do espírito democrático que propõe. Contraria a “tradição” dos eleitores só serem consultados a cada quatro anos. Já é mesmo tempo do interesse público se sobrepor ao interesse político.

De Itajaí a Brasília
Se dispor a ouvir as pessoas, que não necessariamente estão envolvidas na agenda política, é um ato sábio. Resgate que deveria ser obrigatório em todas as esferas. Governar consultando a sociedade e não só os partidos políticos ou grupos econômicos… Chega de governos mais interessados em agradar “financiadores da campanha” ou o “mercado financeiro,” que dita regras, nomeia ministros, secretários e defende interesses próprios…A essência da democracia precisa ser resgatada desde as cidades, passando pelo governo do estado e chegando ao comando da República.

Olho no olho
Ao invés de “cidadãos de redes sociais”, dando likes ou destilando discurso de ódio no Facebook, a proposta é provocar a discussão, cara a cara, de pessoas diferentes, sem qualquer interesse pessoal em jogo. Um debate que junta as visões de mundo de um policial, de um profissional liberal, um universitário, um sindicalista, um operário, uma dona de casa, ou de um aposentado, por exemplo. Ouvindo, opinando, debatendo para, enfim, compilarem, juntas, ideias de políticas públicas. Vamos torcer por um final tão produtivo quanto este início.

Virou caso judicial
Esperamos que a Justiça, através do Ministério Público, mais uma vez, garanta a realização da Parada. Coisa que já aconteceu em anos anteriores, quando a prefeitura, numa visão tacanha e preconceituosa, tentou melar a festa. Uma pena que, mesmo agora com um governo recém-eleito e que se diz adepto de “novas ideias”, os preconceitos continuem tão velhos. Dizem que o prefeito cedeu à pressão de grupos religiosos que são contra a festa. Fabrício Oliveira é evangélico. Se for verdade, uma lástima misturar política com religião. Fabrício foi eleito para governar Balneário para todas as pessoas e não apenas para as que comungam da sua religião. Para quem tem uma carreira política promissora pela frente, está faltando espírito de homem público.

Ladeira abaixo
O Brasil anda numa fase baixo astral. A crise política, que não cessou desde o impeachment, a economia em frangalhos, o desemprego e a violência que nos paralisam pelo medo. Essa maré ruim motivou discursos retrógrados. Pretendem, covardemente, destruir liberdades individuais. Como se limitando direitos fôssemos progredir enquanto nação. Progresso se constrói com respeito às leis e aos direitos sociais. Religião, vida sexual, partido político, configuração familiar são escolhas pessoais. O estado é laico, garante a Constituição Federal.

Vai quem quer
A Parada Gay é um evento de lazer e cultural, mas que também tem seu viés econômico, pois atrai turistas a Balneário Camboriú. Quem não consegue enxergar ou aceitar isso, pode ficar em casa no dia da festa. Não é obrigado a ir onde não se sente bem… Só não vale tentar estragar a festa dos outros. Estranho, inclusive, que algumas dessas pessoas falem em nome de Jesus, pois está faltando o básico a esses cristãos: respeito e empatia pelos que pensam ou sentem diferente.

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