Amor e diversidade

Casais homossexuais e heterossexuais em momentos de carinho juntos à natureza. O que era um ensaio fotográfico virou a exposição “O Elo que Nos Une”, aberta à visitação gratuita, desde a última quarta-feira, na faculdade Avantis, em Balneário Camboriú. O material do fotógrafo Alan Vieira pretende debater a inclusão através dos momentos eternizados pelas suas lentes. A força das imagens ilustra a diversidade das formas de amar. Amor que não depende de aprovação alheia.
Palmas para a iniciativa da Avantis. O ambiente plural do ensino universitário carece de mais iniciativas assim. A mostra fica aberta durante todo o mês de julho. Vale conferir!

“Festa da integração”
Causou indignação o anúncio da festa do Colégio Cenecista Pedro Antônio Fayal, de Itajaí, convidando alunos da quarta série primária para confraternizar vestidos de “favelados do Rio de Janeiro”. O evento previa a encenação dos alunos em dois blocos: o dos médicos, advogados, empresários etc, e o dos “favelados”, que deveriam vestir-se de bermuda, chinelos, óculos de sol e boné.

Reflexão
Ficamos imaginando que tipo de mensagem o corpo pedagógico do colégio imaginou transmitir aos alunos com uma atividade que exala preconceito. O que faz a escola, que tem como objetivo promover a educação de crianças, a bolar uma atividade que se pretendia lúdica mas apresenta uma visão tão estereotipada da sociedade? Cabe explicar a causa deste grande equívoco.

Bom senso
Foi a iniciativa infeliz de um único professor ou o corpo pedagógico promoveu um debate e a ideia foi aprovada como válida? Alguém imaginou que separar alguns alunos para supostamente representar “favelados do Rio de Janeiro” e outro grupo para representar os “demais” moradores da cidade seria uma atividade saudável? Preconceito, ignorância, xenofobia. São diversas as formas de classificar a iniciativa. Nenhuma delas aceitável.

Atitude
Interessante que a rejeição inicial à ideia tenha sido manifestada por um menino de 10 anos. A criança falou aos pais que não gostaria de participar de uma festa com esse “conceito”. A autocrítica que os professores tinham por obrigação fazer, acabou sendo apontada pela criança. O aluno mostrou ter mais discernimento do que os adultos que têm como missão formar cidadãos.

E agora?
Mais do que pedir desculpas à família da criança e à toda a comunidade escolar, a direção do Fayal precisa, urgentemente, refletir sobre o seu papel enquanto escola. Até pelo momento político tenso que vivemos, já temos demonstrações suficientes de violência, preconceito, intolerância. Precisamos de escolas que fomentem relações éticas, respeitando a cultura, a religião, a opção sexual, a condição econômica e os valores de cada família.

#somostodosfavela
Classificar as pessoas pelo local onde moram, pela forma como se vestem, pela profissão que exercem é, no mínimo, um desserviço. Na nota divulgada, o Fayal disse que não aceita “racismo, xenofobia, homofobia ou qualquer intolerância de classes.” Mas não basta declarar. É no dia-a-dia que os valores que prega devem ser praticados.

Imagem
Talvez o problema esteja no fato de algumas escolas, tais quais alguns políticos, ficarem mais atentos com a imagem fabricada pelas agências de marketing do que com a relação real com os alunos. O Fayal diz que enfrentará o momento com humildade e ficará com o aprendizado. Tomara. A discussão aberta sobre o tema é a única parte valorosa deste triste episódio.

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