#Amazôniaénossa

O presidente Michel Temer (PMDB) conseguiu um feito que é inédito nessesúltimos dois anos: fazer os brasileiros concordarem a respeito de um tema. Coxinhas, mortadelas, direita, esquerda, a galera que se diz do centrão. O povo que anda apático e desencantado. Todos contra a destruição da Amazônia.
Nem os aumentos da gasolina, a recessão, o desemprego, a corrupção, a sucessiva perda de direitos, nada mais era capaz de fazer o brasileiro reagir. Eis que daí vem essa sandice, junto com a notícia de privatização dos correios, da energia, da água, do aumento da dívida pública. O presidente que ninguém elegeu decreta o fim de uma área inteira da Amazônia para atender interesses privados de mineradoras.

Condena a todos
O decreto de Temer acaba com a Renca (Reserva Nacional de Cobre e seus Associados) que forma um gigantesco mosaico de unidades de preservação entre o Pará e Amapá (área preservada desde 1984). Segundo o Ministério Público Federal, o decreto que extingue a reserva provocará um aumento de desmatamento que vai equivaler a quatro anos de desmate na Amazônia. Condena não só o presente dos brasileiros, como o futuro de nossos filhos, netos, bisnetos. Com a repercussão negativa que provocou, o presidente revogou o decreto num jogo de cena, para na sequência editar outro que mantém a extinção da área. Queria desmobilizar a opinião pública, mas não conseguiu.

País do futuro?
Para quem ainda não se deu conta do que isso representa, são mais de 45 mil quilômetros quadrados da maior floresta do mundo que estão em jogo. A área é maior que a Dinamarca e equivale ao estado do Espírito Santo. Serão sete unidades de conservação condenadas e duas terras indígenas abertas ao desmatamento e devastação. Apesar do assunto ter sido divulgado no Brasil há poucos dias, empresas de mineração estrangeiras foram avisadas da novidade antes do anúncio oficial. Todas de olho na nova “corrida ao ouro” no antigo novo Brasil colônia, versão século 21.

#342Amazônia
A revolta dos brasileiros, por ora virtual, já reuniu cerca de 700 mil assinaturas através de diferentes petições públicas nas redes sociais. Para quem estiver a fim de manifestar seu voto pela preservação da Amazônia, há vários sites com documentos que serão entregues aos parlamentares em Brasília. Um deles, encabeçado pelo Greenpeace, é o 342amazonia.org. A meta é ultrapassar um milhão de assinaturas nos próximos dias.

Liminar brecou
Dia 29 de agosto, uma decisão da Justiça Federal de Brasília suspendeu todo e qualquer ato administrativo que extinga a Renca. A Justiça entendeu, liminarmente, que a supressão da reserva poderia se dar somente através de lei aprovada pelo Congresso Nacional e não através de simples decreto presidencial. A decisão judicial já foi contestada pela Advocacia Geral da União e pode ser derrubada. Se for mantida, há ainda o risco de o Congresso aprovar uma lei com essa barbaridade. Por isso, é importante a mobilização popular. Ano que vem temos eleições. Apesar dos interesses nada republicanos de grande parte do Congresso, é possível que uma grande mobilização faça os parlamentares recuarem na permissão do fim da Amazônia.

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