Home Colunistas Explica aí, dotô! Limites para o capital, religião e dedo no traseiro

Limites para o capital, religião e dedo no traseiro

Uma peça teatral que garante uma bela experiência em “arte” financiada pelo Sistema “S” tem uma roda de pessoas nuas entrelaçadas em um círculo um com o dedo no ânus do outro. O Funk ostentação toma conta da TV, na rádio só dá canções de rima fácil e de profundo mau gosto, e os “passinhos” na internet desafiam o ridículo.
Algo deu errado. Mas muito errado. Como foi que chegamos aí, em questão de dois séculos ao fundo do poço? Pastores sedentos por rebanhos que engordam suas contas bancárias vociferam salivantes discursos inflados, cuja retórica é tão infantil e tão cheia de jargões, que é impossível acreditar que alguém dotado de um mínimo de cognição possa seguir tal “profeta”.
O discurso sempre com pitada de medo. Sempre há um inimigo, alguém que representa o “mal”, que está aí a solta para pegar os desavisados. O fiel? Ah, esse precisa estar atento e quanto mais vai ao templo sagrado e mais contribui com a obra, mais protegido fica desses inimigos. John Lennon levou três tiros, um “em nome do pai” outro “do filho”, e outro devem imaginar… Mamonas Assassinas morreram porque um anjo desviou o manche do experiente piloto para o lado oposto. Foi Deus quem matou todos eles, segundo (In)Feliciano. Tem aquele Valdemiro Santiago, que vende tijolinhos de plástico (e outros itens mais) para a “edificação” da casa do Senhor. E o Silas? Aquele que está em busca de “uma rola” a pedido do Boechat, esse disse que Deus mata o fiel que vai na delegacia denunciar o pastor ladrão. Agora? Agora é a identidade única com chip que é coisa do demônio. E por aí vai. O que mais o show de horrores pode apresentar?
O show de horrores desse mundo de estética que venceu a ética, em que pastores criam cenas aos berros e o volume da voz é mais potente que a chance do intérprete dar risada de tamanha falácia sem sentido, essa multidão de gente sem noção, que até “exército” uniformizado tem, já ultrapassou todos os limites da dignidade da pessoa humana, que aliás, é irrenunciável, indisponível. As pessoas estão jogando fora a condição humana de cogniciência e pior: se sentem representadas por uma bancada no Congresso Nacional.
Essa gente ortodoxa-fundamentalista é o nosso próprio Estado Islâmico: é o Estado Neo-Pentecostal. Esta coisa produzida por experts do marketing (veja vídeo do “bispo” Macedo ensinando os demais) ultrapassou todos os limites da decência humana. A produção legislativa dessa bancada torpe está desgraçando (perdoem o trocadilho) as conquistas históricas da sociedade do pós-guerra, entre elas, o próprio Estado Laico. Precisamos estudar mais a laicidade do Estado, antes que este Estado Neo-Pentecostal fundamentalista e ortodoxo seja totalitário.
E o Capital? O aumento de produção das mineradoras, o Estado neoliberal que privatiza setores estratégicos, o estado mínimo que não fiscaliza, essas empresas que doam para campanhas, tudo isso, nada tem a ver? Há limites, chegamos aos tempos em que é necessário impor limites em favor da dignidade da pessoa humana, dos direitos da pessoa humana. Os atos atentatórios estão na sociedade diuturnamente, na arte, na religião, no Capital. Assistir a um culto desses “profetas”-do-ridículo chamando de “religião”, assistir a uma peça teatral escatológica dessa chamando de “arte”, aplaudir essa privataria que ocorrera no final da década de 90 chamando de “desenvolvimento” ou aprender um passinho ou decorar uma rima fácil de sertanejo, se equivalem, na questão dos limites da dignidade, irrenunciável, reitera-se.
É preciso impor limites contra esses algozes da dignidade da pessoa humana! A humanidade não caminhou até aqui para retroceder!

(*) O Autor é Doutor em Ciências Jurídicas e Sociais e Mestre em Gestão de Políticas Públicas.

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