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Transição política e eleições municipais

Desde que a corrupção passou a ser julgada pelo processo “Lava-Jato” e que políticos foram condenados, fez-se na política nacional novos heróis e foram credenciados parâmetros distintos para a trajetória político-eleitoral. Esses parâmetros e a feitura de novos heroísmos desligaram alguns botões e acionaram outros tantos. As credencias da política passaram a ser moralizantes e um processo de transição foi inaugurado.

A campanha eleitoral para presidente e o voto foram os passos iniciais dessa transição. A campanha porque foi organizada num processo anti-petista/anti-corrupção. Era preciso parar com as desventuras de utilização do que é, por princípio, público [do público] para benefícios privados, particulares. Todos os desvios realizados pelos meios políticos deveriam ser estancados. O voto porque representou o comportamento de vingança, como que a autorização da violência para combater o “mal virulento”. A missão do vencedor era ser o “eliminador” da corrupção.

A transição, por si só, é o meio, o caminho para a acomodação do “bem” enquanto se julga o “mal”. Não é um resultado de crescimento, mas um momento de ajuste e rearranjo. Não é um sonho de um mundo melhor, mas os dotes da luta contra um pesadelo. Então, para todos aqueles que se imaginaram superstars, para todos aqueles que imaginaram que o voto seria sua consagração pessoal, se enganaram quanto ao que o contexto político exigia: equilíbrio e coalisão.

Muitos governantes se isolaram em seus gabinetes e castas e se disseram donos do poder como resultado eleitoral. Nada mais ingênuo! Ao se isolarem e chamarem para si a fortaleza do poder político, acabaram por perceber que sua fraqueza era diretamente proporcional à sua arrogância. Hoje, governadores e prefeitos, Presidente da República, da Câmara dos Deputados e do Senado se percebem mais do que criticáveis pela falta de costuras para remendar o cobertor.

E as eleições municipais se estendem pelo mesmo ambiente político. São elementos de transição política, procurando um alimento para matar a fome de boa política gerada pela corrupção e pela desfaçatez. Alimento que deve nutrir a caminhada e não o objetivo de longo prazo. Na transição vale um dia de cada vez, e não as metas de chegada. É necessário a prudência, e não o heroísmo; a capacidade de ajustes, e não a vocação vaidosa.

As eleições municipais de 2020, muito provavelmente, estarão “frouxas”, um tanto “mornas”. E não é devido à pandemia de coronavírus, e sim pela passagem da transição política que se nos emerge ante aos olhos ofuscados pela forte intensidade de sua luz. As eleições se manifestam como mediação ao futuro ainda sem metas, ainda sem rumo, ainda meio sem jeito. O futuro que se clama ainda é obscuro. Nestas eleições “o caminho é a própria meta.”

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