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Ética e estética da reciclagem

Uma das maiores responsabilidades da nossa vida urbana é reduzir ao máximo o lixo que produzimos. O objetivo deve ser a emissão zero, mesmo que isto seja impossível: um dia, terá que ser viável. Já se anunciou que, há quatro meses, o planeta entrou na situação de irreversibilidade: isto é, colapso real, caindo no buraco sem possibilidade de volta. Mas parece que pessoas e, principalmente autoridades, ocupadas na eternização de sua permanência no poder, não estão nem aí para uma questão menor – pra eles – que é tornar esse processo menos doloroso.
Mas estamos falando aqui de ações mínimas, individuais, familiares e grupais – sejam de bairro, melhor ainda – no sentido de pequenas reduções de materiais para lixões – esse pesadelo – em direção a reciclagens, reaproveitamentos e os mais “etc”.
Essas ações têm sido bastante faladas, e não tenho a pretensão de contribuir a não ser com umas imagens, mostrando que pode ser lúdico, divertido e interessante visualmente participar dessas campanhas. Pessimistas – e eu sou um – podem achar que tudo isso não tem importância num contexto de produção de toneladas de lixo diárias numa cidade – mas é só observar uma colmeia ou um formigueiro para entender que, também, pequenas ações não são de todo inúteis.
Antes de mais nada, a gente tem que estar atento às propostas das instituições, sejam elas comerciais ou não: evidente que o recolhimento de resíduos como pilhas e baterias, azeite de cozinha e cartuchos de impressora por parte de lojas e supermercados, tem que ser prestigiado: o acúmulo em quantidades favorece o reuso, a reciclagem industrial.
Com relação a catadores, particularmente me preocupam: eles vão recolher o lixo reciclável nas casas, o que é útil até mesmo às prefeituras, mas depois de retirar o “melhor” do lixo – metais, papel, vidro – que fim será dado ao refugo? Pode não ser uma atitude genérica, mas esses rejeitos irão para algum lugar que pode ser inadequado. Nós aqui em casa tentamos fazer separações prévias e entregar a eles somente o que lhes interessa.
E há as campanhas específicas – que, mesmo representando um pequeno volume do total, dão uma certa garantia de que, ao menos esse mínimo, terá destinação correta. É o caso dos lacres de latas de refrigerantes, tampinhas de plástico e embalagens tetrapack.
Ações minimalistas, mas nenhuma oportunidade de reduzir as emissões de lixo pode ser considerada desprezível ou desimportante.

Key Imaguire Junior

Crônicas da Vida Urbana
Key Imaguire Junior é arquiteto e Urbanista, graduado em 1972; Mestre em História do Brasil (1982) e Doutor em História das Ideias (1999). Todos os títulos pela universidade Federal do Paraná, onde foi professor de História da Arquitetura Brasileira, Patrimônio Cultural e outras disciplinas ao longo de 35 anos. É o idealizador da gibiteca de Curitiba, que em setembro de 2012 completou 30 anos de existência.
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