Home Colunistas Em geral Os radicais comandam a tragédia

Os radicais comandam a tragédia

O recente suicídio do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Luiz Carlos Cancelier de Olivo, – na verdade assassinato cometido pela Justiça e pela Polícia Federal por via da tortura psicológica e do assédio moral – antecedeu de algumas horas o pedido de demissão de outro reitor, da Federal do Sul da Bahia, sob pressão de conflitos internos da instituição.
A origem dos dois episódios deve ser buscada na política radicalizada que impera nas universidades e que sempre me pareceu absurda quando se desliga de qualquer situação objetiva e, alimentada por vaidades, paira no nível abstrato da ideologia.
Essa luta feroz que envolve, em diferentes arenas, professores e alunos, ganhou ingrediente novo com a intromissão na vida acadêmica de agentes do direito punitivista enviesado à direita que se implantou no Brasil: seu mais comum instrumento são corregedores, funcionalmente subordinados à retoria, mas que prestam contas à Corregedoria Geral da União – dupla obediência que jamais poderia dar certo.
Quando corregedores se articulam com procuradores ou policiais do partido da Lava-Jato, as coisas podem sair de controle, como aconteceu em Florianópolis: a corregedoria, que investigava suposto desvio de R$ 500 mil em projeto de ensino a distância de R$ 80 milhões, ocorrido há 11 anos (10 anos antes da posse do reitor), entendeu que ele “obstruía a Justiça” ao pretender acessar ou avocar o processo. Cancelier – apaziguador de perfil progressista -, portanto duplamente odiado por esse pessoal – foi preso pela Polícia Federal por ordem de uma juíza, em operação espetacular que mobilizou dezenas de agentes, submetido ao que se pode imaginar de constrangimentos, jogado na cadeia e, quando libertado, impedido sequer de conversar com seus colegas de trabalho. Obrigaram-no, por exemplo, a entrar e sair do campus em duas horas e meia, para dada cada aula programada de duas horas.
A depressão do homem era evidente, mas a juíza, a delegada, os policiais pouco se importaram: estavam a serviço de sua fé, combatendo moinhos de vento da corrupção.
Em radical protesto, o reitor afastado subiu no começo da manhã ao último andar de um shopping no centro da cidade e se atirou para a morte no pátio interno. Outras pessoas fizeram o mesmo ali antes, mas a notícia era publicada discretamente. Dessa vez, foi impossível: todos souberam do protesto do Dr. Concelier, professor de Direito Administrativo, reitor da UFSC, pelo que fizeram com ele e fazem com as universidades públicas brasileiras – as melhores, quase que as únicas que merecem essa denominação.
As universidades são uma parada próxima no trem da degradação das instituições do Brasil, que entregou a estrangeiros segredos estratégicos, patentes de valor incalculável e uma das maiores reservas de petróleo do mudo; cedeu o controle em áreas de soberania; e planeja liquidar ao correr do martelo os bancos públicos (tão logo encontre outro meio de financiar a agricultura), os hospitais e até os Correios, fundados há 350 anos.
Os bacharéis não percebem, ou querem perceber, que a corrupção foi e é só um pretexto.

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