Home Colunistas Direto de Brasília Planalto manda enterrar de vez todas as CPIs

Planalto manda enterrar de vez todas as CPIs

“A maioria do PMDB prefere hoje nomear cargos neste governo”
Senador Aécio Neves, presidente do PSDB, sobre o caráter fisiológico do adversário

O governo determinou aos parlamentares o sepultamento de todas as CPIs, começando pelo veto à prorrogação de todas as comissões na Câmara. Em reunião no Palácio do Planalto, terça, o ministro Ricardo Berzoini (secretaria de Governo) deixou escapar o pânico do governo com as investigações dos fundos de pensão e do BNDES, uma verdadeira “caixa preta” finalmente aberta pelas investigações.

Lula em pânico
A gota d’água para a operação abafa da CPI foi teleguiada pelo ex-presidente Lula, após a convocação do seu amigo José Carlos Bumlai.

Não é bem assim
A CPI dos Fundos de Pensão aprovou requerimento de prorrogação, mas isso ainda precisa passar pelo plenário. A chances são pequenas.

Insistente
Insistente, o presidente da CPI do BNDES, Marcos Rotta (PMDB-AM), encaminhou pedido de prorrogação a Eduardo Cunha.
Direito só da maioria

As CPIs sempre foram consideradas um direito das minorias, mas desde o governo Lula o Planalto não abre mão do controle de todas elas.

CPI fecha o cerco a Lula
O fazendeiro José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, não encontrará facilidades em seu depoimento à CPI do BNDES, terça (24). A oposição se prepara porque tem certeza de que o depoimento de Bumlai pode fechar o cerco a Lula. O empresário será indagado sobre como obteve R$ 1,2 bilhão (sendo R$ 300 milhões do BNDES) para a Usina São Fernando, no Mato Grosso do Sul, hoje próxima da falência.

Excesso de exposição
Lula anda insone com o depoimento de Bumlai na CPI. Ele acha que o amigo, por ser inexperiente, pode ficar nervoso e complicar sua vida.

Explica aí
Bumlai será indagado sobre seu papel em negócios com o amigo Lula, como sítio de Atibaia (SP), reformado pela OAB, aquela do petrolão.

Ponto final
O Palácio do Planalto pressiona o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, a sepultar a CPI do BNDES até 14 de dezembro.

Oposição se divide
DEM e Solidariedade brigaram com os tucanos na Câmara, que não ajudaram a obstruir a votação das pedaladas de Dilma na Comissão de Orçamento. Alegam que “rolou agradinho” (emendas) ao PSDB.

Com a rua ela não pode
Geddel Vieira Lima (PMDB), ex-vice-presidente da Caixa no governo Dilma, já não acredita no impeachment por iniciativa do parlamento, mas acha que as forças de madame serão “minadas das ruas”.

Contra ditadura
Jaques Wagner (Casa Civil) terá de explicar na Câmara a MP que pune caminhoneiros que fecham rodovias, enquanto o MST toca o terror. “O governo silencia quem discorda dele”, diz Jerônimo Goergen (PP-RS).

Imposto, não
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, faz vigília contra a saída fácil do governo para a crise. Falando em nome dos empresários, Skaf prometeu fazer o que for preciso para impedir o aumento de impostos.

Contaminação
O senador Romero Jucá (RR) vê o desgaste do governo contaminando todos os partidos, incluindo o seu PMDB. Para a surpresa de quem o considera um governista radical, ele sempre defendeu o impeachment.

Parou por que?
Presidente da OAB-SC, Tullo Cavallazi Filho não deu andamento a grave queixa de um cliente lesado por advogados porque a campanha na Ordem “parou tudo”, conforme justificou ao advogado do queixoso.

PODER SEM PUDOR
Um soco de cinema
Ao chegar na Câmara para trabalhar, em 1990, o jovem deputado Eduardo Siqueira Campos, então no PDC, soube que Brandão Monteiro (PDT-RJ) fizera violento discurso contra seu pai, governador do Tocantins. Eduardo é do tipo boa praça e encontrou Monteiro ainda no plenário. Ao vê-lo, o deputado do Rio insultou-o e a seu pai, outra vez. Eduardo pediu que parasse, mas Monteiro, que tinha fama de valentão, insistiu. O filho fechou os olhos e desferiu um soco de cinema, único de sua vida, que pegou em cheio e entrou para a história, deixando Brandão nocauteado no chão do plenário.

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