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Vai faltar sabonete

Mauro Mariani e Dário Berger: “PMDB-SC é limpinho”

O POLÍTICO LIMPINHO
O Senador Dario Berger fez importantes revelações, numa entrevista ao jornalista Moacir Pereira. Disse, por exemplo, que o Mauro Mariani é o candidato dele a governador em 2018 porque “está preparado, conhece o Estado, está limpinho e não tem nenhum processo”. Não é fantástico? Ser limpinho virou um “diferencial” de campanha.
O Senador está firmemente convencido que esse será o adjetivo do futuro. Utilizou-o também para afirmar que o PMDBão tem nada em comum com o PMDB Nacional. Disse ele: “Uma coisa é o Pacional e outra é o PMDB catarinense. (…) O PMDB catarinense está limpinho e não tem nenhum investigado na Lava-Jato”.
Mas será que o que o Senador entende por “limpinho” é aquilo que a gente entende? Não sei, tenho a impressão que ele se referia unicamente à Lava-jato (operação que, como sabemos, não faz muita questão de cobrir todo o espectro político, concentrando-se em certos alvos preferenciais).
É possível que, se a gente olhar com atenção, encontre nas fichas, prontuários e currículos de políticos do PMDB-SC (como das demais siglas), pecados de diferentes tamanhos e com diversos níveis de gravidade. Pequenas ou grandes manchas, algumas nódoas, sujidades diversas que resistem às lavagens, pingos de catchup, respingos de gordura… E aí, só com muito boa vontade e certo grau de miopia poderíamos classificar como “limpinhos”.

O INDICADO CONDENADO
Por falar em político limpinho, vocês sabem que o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (PMDB Limpinho), tem no senador Dário Berger mais do que um amigo, praticamente um tutor. Um pessoal maledicente até dizia, meio brincando, meio a sério, durante a campanha, que “Gean eleito, Dário prefeito”.
Pois bem. Há uns 20 dias o Gean nomeou, como secretário adjunto da secretaria de Segurança Pública do município, o ex-PM Sílvio Odair de Souza. Não por coincidência ele ocupara o mesmo cargo quando Dário Berger foi prefeito. E eram tão ligados que até foram condenados juntos por improbidade administrativa.
O caso é muito interessante. Segundo a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina, em setembro de 2010 “um carro do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (Ipuf) foi parado pela Polícia Rodoviária Federal. O veículo tinha placas frias e dentro foram encontrados R$ 1.850 em dinheiro e material de propaganda de candidatos. O carro era dirigido pelo terceiro réu no processo, Alcebíades Pires, que morreu antes da condenação. O outro ocupante era Souza”. O veículo ficava à disposição de Dário Berger. Um bem público, com placas irregulares, usado para fins políticos… deu no que deu. A condenação de ambos, em primeira instância, está agora em grau de recurso.
Pois bem, o prefeito Gean, apesar da pressão e da grita geral, manteve a nomeação do condenado por duas semanas. Mas, no último dia 11 o ex-PM foi exonerado. Segundo a prefeitura, “ele pediu pra sair por motivos pessoais”. Não consegui saber se alguém mandou ele tomar banho.

*Coluna publicada às terças-feiras. Acompanhe o Blog do Cesar Valente em www.diarinho.com.br.

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