Home Colunistas De olho na Capital Muita fofoca, muita raivinha e pouca informação

Muita fofoca, muita raivinha e pouca informação

A reforma que entrou em vigor no sábado mexeu em mais de 100 pontos da CLT. Mas quem se importa?

Nem preciso dizer que, com esse título, pretendo falar sobre as tais “redes sociais” e suas características marcantemente antissociais.
O principal problema, a meu ver, é que enquanto o povo se distrai e se diverte (ou sofre) no zap zap e no facebook, os políticos mal intencionados se aproveitam que ninguém está olhando e cometem barbaridades diárias.
A aprovação, numa das comissões da Câmara, da proposta de emenda à Constituição (PEC 181) que penaliza as vítimas e preserva os autores da violência, é uma das coisas mais ignóbeis dos últimos tempos. E olha que nos últimos tempos têm sido aprovadas coisas do arco da velha.
Se a PEC for aprovada no plenário, qualquer homem, todo homem, pode pegar à força qualquer mulher e fazer nela um filho. Ela, vítima de um crime bárbaro como o estupro, será obrigada, pela lei, a ter esse filho, para alegria do estuprador. Isso é inadmissível numa sociedade civilizada. Mas quem disse que o projeto de país que está sendo implementado no Brasil pretende valorizar a civilidade e o respeito aos direitos fundamentais?
No sábado entrou em vigor o primeiro passo para “desregulamentar” as relações trabalhistas. Ainda não mexeram na Constituição, mas é só uma questão de tempo. Isso de valer o negociado sobre o legislado é a negação de tudo o que o Brasil avançou, nas relações trabalhistas, desde Getúlio Vargas. A tal visão “moderna” das relações entre patrões e empregados nada mais é do que a recuperação, com nova roupagem, do que existia no começo do século passado.
As lojas e indústrias poderão contratar por hora e ter funcionários que trabalham só quando a empresa precisa deles: todo dia o cara liga pra empresa pra saber se vão precisar dele. Se precisam, ele vai trabalhar e ganha aquele dia. Se não, ele fica em casa e não ganha nada.
E férias remuneradas, 13º e vários outros benefícios, se o empregado não souber negociar na hora da contratação, pode acabar sem. Os sindicatos, despreparados e sem saber direito como proceder, não serão de grande ajuda.
Enquanto isso, a turma discute, briga e se descabela, no zapzap e facebook, pelas coisa mais absurdas. E sempre conseguem, qualquer que seja o tema, arranjar inimizades e fazer desafetos.
Acho que o pessoal “das redes” lê apenas as primeiras palavras de um post e pronto, acha que sabe o suficiente. Não conversa, não lê (ler mesmo, várias páginas, um livro, dois livros), nunca estudou pra valer, nem sabe como pesquisar, aprender e conhecer algum assunto mais a fundo. Mas se considera pronto para vomitar sentenças prontas e acabadas. Definitivas.
A principal diferença entre um sábio e um idiota (ou imbecil), é que o sábio, quanto mais estuda, mais dúvidas tem e mais acha que precisa aprender. O imbecil (ou idiota), não tem dúvidas.
E é essa gente sem dúvida, sem informação, sem vergonha na cara e às vezes até sem caráter, que está sempre distraída, olhando para o lado errado, que faz a alegria dos políticos espertalhões que nos governam. Eles podem fazer o que bem entenderem, porque o pessoal tá ocupado discutindo abobrinhas no celular e brigando entre si. Quando for preciso reunir todo mundo e ir pra rua pra reclamar de alguma coisa grave, não vai dar. Estará todo mundo “de mal”, porque brigou no zap zap. E governar povo dividido é a maior moleza.

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