Home Colunistas De olho na Capital Fora Temer, fora Lula, fora Dilma, fora Maia…

Fora Temer, fora Lula, fora Dilma, fora Maia…

Fora Temer, fora Lula, fora Dilma, fora Maia…

Muitos de nós estão tendo sérias dificuldades para conversar com amigos no facebook ou consigo mesmo, naquelas conversas privadas diante do espelho ou antes de dormir.
Temos alguns problemas difíceis de resolver e mais difíceis ainda de fazer com que os amigos entendam. Por exemplo: a gente sabe que o impeachment foi golpe, que o novo regime colocou no poder ladrões consagrados, que o Temer é um estorvo, mas também não gostava da Dilma. Achava que ela não conseguia se expressar, que aceitava implementar políticas suicidas e, se tivesse como fazer isso legalmente, até toparíamos abreviar seu mandato. Mas a gente também não quer o Temer e sua troupe.
E, pior, a gente acha que o que estão fazendo com o Brasil, entregando tudo de mão beijada, é uma grande sacanagem. São ladrões incompetentes que estão com a chave do cofre. Capazes de pagar o preço que pedirem por um voto no Congresso para defender o indefensável. Mesmo que tenham que aumentar impostos. São capazes de perdoar dívidas bilionárias e, na mesma semana, autorizar a cobrança de merrecas de assalariados que já estão na merda.
Mas, acreditem ou não, não queremos o Lula de volta. Ele já teve sua chance. E a desperdiçou. Quando votei no Lula, no primeiro mandato, tinha sérias preocupações sobre como ele iria implantar uma política econômica que certamente desagradaria o grande capital. Qual não foi minha surpresa quando, em vez da grita da banca, ouvimos os aplausos do estabilishment financeiro. Lula tinha simplesmente adotado a política econômica do seu antecessor, com mínimas modificações.
A partir daí, foi decepção em cima de decepção. No meu caso, e de muitos amigos, não o suficiente para fazer com que passássemos para a outra banda. Mas o suficiente para não idolatrarmos mais o nosso antigo ídolo. E não passamos para a outro lado também porque sabemos exatamente quem são Jucá, Moreira Franco, Sarney, Collor, Maia, Calheiro, Bolsonaro, Aécio, Dória, Alkmin e tantos outros que também não queremos governando o país.
E essa é a dificuldade: fazer com que os imbecis automáticos das redes sociais entendam que é possível ser contra o Temer e não querer mais o Lula. Saber que o novo regime colocou no governo uma quadrilha de ladrões, que fez pós-graduação nos governos do PT, e achar que o país não merece o que estão fazendo com ele.
Nós não achamos que “tá ruim, mas tá melhor que antes”. Tá ruim, está pior que antes, a emenda foi bem pior que o soneto, a cacalhada que nos governa é o fim da picada. E, mesmo achando isso, a gente não pensa que o governo do Lula e da Dilma foi muito legal. Assim como a gente não engole essa patacoada de que o Lula foi “o maior ladrão da história do Brasil” (imagina, logo do Brasil, um criadouro de ladrões desde a chegada dos portugueses), mas continua não achando que a volta dele, e do PT, resolva alguma coisa. O Brasil tinha, tem e continua tendo, ladrões no governo. Alguns são muito canalhas, acumularam fortunas pessoais imensas. Outros, pediram propina para financiar suas campanhas e de seus partidos. Um não é menos ladrão que o outro, mas existe uma diferença entre os objetivos do roubo.
E não queremos mais gente aética e bandida no poder. Mas, aí tem outra dificuldade: os partidos políticos, todos, não nos dão opções. Só oferecem, para que escolhamos, o ruim, o pior, o inaceitável, a desgraça, o caco, o mais ladrão e o ladrão enrustido. É muito dura a vida do eleitor nessa pocilga.

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