Home Colunistas De olho na Capital Ei, você aí, me dá um dinheiro aí?

Ei, você aí, me dá um dinheiro aí?

“Não sou escravo de nenhum senhor” / SAMBA ENREDO 2018 G.R.E.S PARAíSO DO TUIUTI / MEU DEUS, MEU DEUS, ESTá EXTINTA A ESCRAVIDãO?

As cinzas da quarta-feira caem sobre nossas cabeças marcando o final do carnaval popular. O carnaval das “autoridades”, movido a dinheiro público, não tem data para terminar. Vez por outra mudam os personagens, mas o enredo continua o mesmo.
A grande alegoria do momento, na Ilha dos Casos e Ocasos Raros, chama-se “Um prédio pra chamar de seu”. A sempre atenta e rápida Assembléia Legislativa de Santa Catarina saiu na frente, comprando um prédio por R$ 83 milhões, para acomodar o sempre crescente quadro de funcionários, assessores, auxiliares, assistentes, aspones e agregados dos 40 deputados. Um só palácio não é suficiente para a corte parlamentar.
Ninguém fala em reduzir o número dos apadrinhados, para não precisar de tanto espaço na outrora vetusta casa de leis estaduais.
Na mesma toada, o Tribunal Regional do Trabalho de Santa Catarina, está à procura de um prédio para comprar. Coisa baratinha, que custe uns R$ 63 milhões, no máximo. A justificativa que alguém, na direção do tribunal deu, foi muito interessante: as novas leis, que limitam os gastos de dinheiro público em anos vindouros, farão escassear grana para aluguéis, por exemplo. Por isso, é importante comprar agora um imóvel, para se livrar do aluguel. Gastar já, enquanto tem, para garantir espaço para todos no futuro.
E, pra não perder o bonde, agora a prefeitura municipal de Florianópolis anuncia que se prepara para mudar para uma nova sede, na sempre congestionada SC-401, em frente ao Centro Administrativo do governo do estado.
Passo sempre por ali e desde que aquele prédio ficou pronto, meses atrás, uma coisa chamava a atenção: não tinha nenhuma placa anunciando salas para vender ou alugar. Parecia já estar destinado a algum cliente. Tudo acertado, provavelmente desde o início da construção.
A prefeitura informa que pagará aluguel de R$ 500 mil mensais e terá opção de compra pela bagatela de R$ 110 milhões. Como vemos, dinheiro não falta. A justificativa é reunir, num mesmo local, muitas das repartições que hoje estão espalhadas em vários prédios, alguns dois quais alugados. E, claro, dar ao prefeito um gabinete chique, com vista para o mar.
Outra vantagem de colocar a prefeitura lá longe, bem afastada do centro da cidade, é dificultar a vida de quem pretenda protestar. No centro é fácil, basta convocar e logo se enche as ruas estreitas do centro com manifestantes, com as palavras de ordem ecoando nos prédios, formando uma algazarra difícil de ignorar. Lá longe tudo é mais complicado.
Bom, mas o fato é que, em ano eleitoral, essa movimentação de recursos, pra lá e pra cá, é uma ótima notícia. Sinal que a economia se recupera e que os políticos mais rápidos e espertos terão grandes chances de reeleição ou até de elegerem-se em cargo melhor remunerado.
Correndo por fora, sem falar em comprar e alugar prédios, o governador fala-mansa já fez a sua cama. Entregou o estado para o MDB (era PMDB, mas parece alguém roubou o P) e sai de férias, preparando-se para a “árdua” campanha ao senado. Samba enredo tradicional, sem surpresas. Dr. Moreira, o emedebista-mor, já vestiu a fantasia de governador e trata de ocupar todos os espaços na passarela. O carnaval, portanto, só acaba hoje para quem vive na planície. Boas cinzas pra nós, então.

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