Home Colunistas De olho na Capital Começou bem, a nova novela da TV Câmara

Começou bem, a nova novela da TV Câmara

A política, na TV, sempre produziu bons dramas e comédias

Na falta de programas interessantes na TV aberta e de excessivas reprises na tv paga, valemo-nos, de tempos em tempos, das televisões oficiais para encontrar alguma diversão vespertina.
Anos atrás, a TV Justiça nos entretinha com aquela novela de suspense e mistério chamada “O Mensalão do PT”. Depois de várias outras atrações, com maior ou menor audiência, chegamos ontem ao programa de julgamento da TV Câmara, com o título de “A denúncia continua ou para?”
Cercado de grande expectativa e muita fofoca, como toda boa minissérie, o primeiro capítulo, cheio de conflitos, crimes, suspeitas e dedo-duros, teve bons momentos. E, como previsto em todos os manuais das séries de TV, assim que se chegou a um primeiro momento mais emocionante, foram para o intervalo comercial. No caso da TV Câmara e da Comissão de Constituição e Justiça (núcleo dramático que está conduzindo essa produção), o intervalo tem o nome pomposo de “pedido de vistas coletivo”. Ou seja: para tudo por pelo menos dois dias.
O relator disse que “a denúncia não é inepta” e que, portanto, deve ser aceita e prosseguir, para que se apure se, de fato, o cara que ocupa interinamente a presidência é um criminoso. O defensor, claro, disse que a denúncia é inepta, que o presidente interino não pediu nada, não recebeu nada, não sabia de nada, não cometeu qualquer crime.
Qualquer escritor sabe que uma trama só vai adiante se conduzida pelo grande motor dramático que são os conflitos. E aí está posto o conflito: a defesa diz que a acusação pode criar problemas de governabilidade. Não são as ações, amizades e relações do presidente em exercício que podem criar dificuldades, mas as acusações de que ele não estaria agindo corretamente. O relator aceita o que a acusação diz e propõe uma questão oposta: “um eventual arquivamento da denúncia não daria ao governo o vigor necessário para sair dessa crise.”
Ou seja, na visão de um a tal da governabilidade será prejudicada se a denúncia for aceita, na visão de outro será prejudicada se a denúncia não for aceita.
São bons ingredientes para prender a audiência, para inclusive fazer com que os próximos capítulos, na quarta-feira ou adiante, ganhem ainda mais interesse. É possível que ainda ocorram outros conflitos paralelos, como as brigas, algumas ridículas, entre os deputados. Veremos bate-bocas ou mesmo até, se tivermos sorte, chutes, pontapés e puxões de cabelo. Isso, é claro, não influencia na trama principal, mas serve como uma espécie de alívio cômico.
E qual será, afinal, o desfecho da novela? Teremos suspenses do tipo “quem matou Odete Roitman?” Teremos, como no final de toda novela de sucesso, vários casamentos? Ou então, como virou moda modernamente, beijos homoafetivos, transgênero ou transétnicos? Tapas e beijos?
O fato é que isso é apenas um drama de televisão. O que vemos na telinha é uma ficção, um teatrinho. O verdadeiro enredo, aquele que realmente interessa, corre por fora, longe das nossas vistas, distante do alcance de nossas câmeras. Se Temer vai sair ou ficar, parece que já está definido pelos que mandam de fato, que manipulam os atores, que estabelecem o ritmo do teatro e o andamento dos capítulos da novela.
Como não temos como influir na história, resta-nos recostar e assistir o espetáculo. E, sempre que ocorrer uma boa performance, rir, aplaudir, ou vaiar. Pobres de nós.

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