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Babacas sem fronteiras!

É difícil, a vida das mulheres

A modinha de gravar e colocar na internet tudo quanto é besteira, expôs alguns grupos de idiotas misóginos militantes que foram exibir na Rússia, durante a Copa da Fifa, suas imbecilidades. E, para mostrar que eles estão espalhados pelo mundo e que essa falta de noção não tem fronteiras de gênero, vê-se homens e mulheres tentando defender o indefensável e justificar o injustificável.
O número de pessoas que não respeitam as mulheres, no mundo, é imenso. Em alguns países e culturas, a coisa é institucional. As mulheres são proibidas de andar na rua sozinhas, não podem dirigir automóveis, não podem votar ou não podem frequentar escolas. Em outros, a opressão é mais suave e dissimulada, mas com efeitos igualmente danosos e perversos.
A mulher pode dirigir automóveis, mas os babacas vivem fazendo piadas sobre uma imaginária incompetência feminina no volante. A mulher pode trabalhar e exercer todo tipo de funções, mas os babacas conseguem sempre mantê-las com salários menores e lhes impingem, às claras ou dissimuladamente, vários tipos de constrangimentos. A mulher até pode se vestir como quiser, mas é sempre culpada por sofrer assédio dos babacas.
No mundo, são poucos os lugares que tratam as mulheres com respeito e em condições de igualdade com os homens. Na Rússia mesmo, palco dos últimos espetáculos internacionais de babaquice explícita, a vida das mulheres é muito difícil. E, como em todos os demais locais onde os babacas dominam, se perguntar a um homem ele dirá que as mulheres são respeitadas e têm uma boa vida, “desde que saibam o seu lugar e se comportem”.
Portanto, os vídeos que mostram babacas humilhando mulheres não surpreendem. Surpresa mesmo seria ver um bando de torcedores, bêbados, tratando as mulheres como iguais, como mais uma da turma, se divertindo sem fazer babaquices humilhantes.
Como em todos os episódios desse tipo, os babacas sempre se defendem dizendo que são apenas “pais de família” (!!!), que era apenas “brincadeira” (!!!), que estavam bêbados, que ninguém ficou ferido. E coisas desse tipo, que sempre fazem parte do elenco de justificativas babacas usadas pelos babacas quando cometem babaquices.
O fato de babacas de vários países e idiomas terem sido flagrados fazendo o mesmo tipo de babaquice, reforça a ideia de uma pandemia. A contaminação é extensa e por enquanto não parece haver vacina eficiente à disposição da maioria. Vacina anti-babaquice até existe, mas eles se recusam a tomá-la. Porque são babacas.
A ciência já sabe exatamente como os babacas se reproduzem, como se criam, como vivem e do que se alimentam. E se olharmos com atenção ao nosso redor, dentro das nossas casas, também veremos facilmente esse “fenômeno” da multiplicação de idiotas misóginos: quando o menino é educado para brincar na rua e a menina obrigada a ajudar a mãe nas tarefas de casa, a coisa começa. Quando os “meninos” da casa fazem piadinhas menosprezando a inteligência e a capacidade das meninas da casa e todos riem, ninguém reclama e dá bronca, a cultura de considerar as mulheres como seres inferiores, se estabelece. Todos os babacas dizem que respeitam a mãe e fazem de conta que respeitam as esposas, mas não admitem que elas sejam mulheres independentes, que lutem por seus direitos.
Nenhum deles acha que, ao desrespeitar uma mulher, esteja também desrespeitando sua mãe. E é provável que vários deles tenham sido perdoados por suas esposas, conformadas em seus papéis de capacho acéfalo. E isso de saírem fazendo babaquices misóginas e imbecilidades machistas mundo afora só comprova que, para os babacas, não há fronteiras. O mundo é sempre muito gentil e receptivo aos babacas. E muito hostil para as mulheres.

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