Publicidade de rua

É alguma coisa que sempre me preocupou: por sua própria natureza, uma mensagem comercial é feita para chegar indiscriminadamente a todos os passantes. Aquela eterna ladainha capitalista: “compre, COMPRE, C O M P R E ! ! ! Venha, gaste seu dinheiro, precisamos dele para nossa permanente busca de expansão de mercado! Dane-se a conversa ambientalista, GASTE!”
Aqui já surge um problema: passante de carro é uma coisa, pedestre é outra. A maior velocidade do carro é pretexto para peças de anúncio maiores – e mais agressivos, para não dizer mais violentos como presença, numa cidade onde a sobreposição visual e sonora já tem conotações de pancadaria. Uma rodovia não deve conter outdoor ou publicidade de qualquer tipo – a alta velocidade torna qualquer distração dos motoristas, por fração de segundo que seja, em causa de acidentes. E o pior: é sempre coisa mal feita, sem critério, escrachada…
Nas cidades, excetuando umas poucas áreas, o panorama é do mesmo tipo: dimensões exageradas, apelos desnecessários e rasteiros, sem imaginação, retratos da nossa indigência cultural. Um tipo de anúncio que me parecia interessante – e que não lembro de ver usado com criatividade maior – eram os feitos no chamado gás neon – que permitia desenhar e escrever com luz no céu noturno.
Mas voltando ao assunto, nas ruas comerciais, especialmente as de áreas antigas, deveria haver uma atenção maior por parte dos responsáveis pela liberação de publicidade externa. Uma legislação adequada deve limitar não apenas as dimensões, o que já é um ganho, mas também a localização, que não pode interferir na arquitetura da construção. Mesmo nas áreas não históricas, há práticas que tornam as ruas lugares feios, hostis. Por exemplo, não se fazer mais vitrines: à noite, que é um período bom para passear na rua, fecham-se as portas metálicas e fica apenas o nome da loja, enorme, sobre elas. Alegam-se questões de segurança, que provavelmente fazem realmente sentido. Mas as ruas ficam feias, não convidam ao uso – o que piora a segurança…
Outro elemento com interferência muito negativa são os banners e faixas. Já por serem provisórios, temporários, como regra são mal feitos. E depois, são abandonados – deixando restos de farrapos pendurados em postes ou nas fachadas. Isso quando não desbotam, perdendo qualquer utilidade que não seja como sujeira mesmo.
Sei que a publicidade pode chegar a níveis de criação artística, e disso haveria numerosos exemplos. Mas infelizmente, nas nossas ruas já tão feias, tem acontecido muito pouco.

Crônicas da Vida Urbana
Key Imaguire Junior é arquiteto e Urbanista, graduado em 1972; Mestre em História do Brasil (1982) e Doutor em História das Ideias (1999). Todos os títulos pela universidade Federal do Paraná, onde foi professor de História da Arquitetura Brasileira, Patrimônio Cultural e outras disciplinas ao longo de 35 anos. É o idealizador da gibiteca de Curitiba, que em setembro de 2012 completou 30 anos de existência.
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