Os ratos

Semana passada, falamos de patos – hoje, falaremos de assunto menos simpático e, para algumas pessoas, agressivamente desagradável. Lembremos que, entre “as piores coisa do mundo”, no 1984 de George Orwell, está uma gaiola de ratos – e não vamos descrever como é usada…
De recente, tive uma informação: a de que esses roedores são considerados entre os maiores problemas da cidade contemporânea – senão o maior.
Mas também há quem diga que, se não fosse o rabo muito feio, eles seriam tipo preás – e os humanos os teriam em casa como mascotes e animais de estimação… O que não significaria, é claro, que essa população – a única maior que a humana no planeta – seria controlada.
Maior a cidade, maior a quantidade de ratos – em Paris, há uma das maiores populações roedoras do mundo, graças aos seus famosos – e até turísticos – sistemas de galerias de esgotos. Tudo o que é subterrâneo, os favorece – inclusive o que é o ícone da modernidade em transporte para muita gente, o metrô. Mas voltando à Cidade Luz, descobriu-se que, a cada campanha de extermínio, corresponde um aumento da população ratal – porque passa a haver mais comida…
Não consta que exista algum processo ou tecnologia para controlar os ratos. Veneno, vai acabar poluindo os rios e pior a emenda que o soneto. Adestram-se cães para caçá-los – o que é talvez a pior das táticas: a caça pode estar infectada e virar caçadora… Os chineses, evidente, os comem – mas nem assim. Talvez uma campanha como os americanos usaram para exterminar os lobos, pagando por cabeça apresentada? Haja verba…
Mas me parece evidente que a solução está no controle do que é realmente e certamente o maior problema da humanidade: a produção de lixo. Só reduzindo a alimentação, haverá redução da população ratal.
E aí chegamos a um nó: não se está investindo nessa questão, as soluções até o momento são claramente insuficientes. Um país que, por outros padrões, pode ser considerado civilizado, como o Canadá, foi flagrado recentemente “empurrando” seu lixo para o Terceiro Mundo, como se o problema fosse canadense e não planetário. Pior, só a “solução” americana – sempre eles! – de afundar no oceano balsas cheias de lixo. Absolutamente digno da Grande Potência do Norte ou, como acredita muita gente, do país mais desenvolvido do planeta.
Enquanto formos tão irresponsáveis na produção do lixo, não haverá solução para o problema dos ratos. Nem para tantas outras questões que afligem nossas cidades. E isso passa por menos politicagem e mais investimento nas áreas de educação, tecnologia e cultura. Em todos os “palácios do governo” do mundo, os ocupantes deveriam ter, como único prato, ratos, segundo receitas preparadas pelos mesmos “chefs” que fazem as atuais vitualhas. Em três tempos, seria resolvida a questão do lixo e dos ratos.

Key Imaguire Junior

Crônicas da Vida Urbana
Key Imaguire Junior é arquiteto e Urbanista, graduado em 1972; Mestre em História do Brasil (1982) e Doutor em História das Ideias (1999). Todos os títulos pela universidade Federal do Paraná, onde foi professor de História da Arquitetura Brasileira, Patrimônio Cultural e outras disciplinas ao longo de 35 anos. É o idealizador da gibiteca de Curitiba, que em setembro de 2012 completou 30 anos de existência.
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