Mudar o nome da coisa

Nove em 10 pessoas, se perguntar porque a “Gripe Espanhola” teve esse nome, responderá que o vírus teve origem por lá, na Espanha. Mas quem leu sobre essa praga, no entanto, sabe que a participação do país foi como uma das grandes vítimas, até o rei deles quase morreu. O vírus era americano, do norte do sul deles lá…

Quem põe o nome nessas epidemias, pandemias ou seja que armação do diabo em pessoa sejam? Parece que não querem o nome como referência.

O atual é muito inadequado: “Corona” é palavra italiana e espanhola, evidente que significa “coroa”: não pessoa idosa, mas aquela coisa que os reis usam na cabeça e só serve prá mostrar que são reis. O tal vírus, pelo que se divulga, é esférico, e coroa esférica não consta que seja possível. E, como no caso, a Itália e a Espanha estão entre as maiores vítimas – ainda é cedo pra dizer se outras surgirão, mas certamente vai precisar muita mortandade em outro lugar para igualar ou superar a estrago nesses países – regiões entre as mais belas e densas de cultura do planeta.

O tal “Covid-19” também não diz nada – como H1N1, será alguma designação à qual não interessa que seja entendida. Parece sigla dessas estatais que os governos neoliberais estão loucos pra vender e entrar na grana.

Há mais um aspecto: desde a Gripe – vá lá, não há outra designação – Espanhola, essas pandemias caem sobre a humanidade em períodos irregulares, mas cada vez mais próximos entre si. Uma designação que fizesse referência ao tempo, nos localizaria com maior facilidade. Parece que, desde as primeiras surgem sempre nos lugares mais densamente povoados, como um alerta do planeta à situação de superpopulação.

Por exemplo, a data: “Vírus 2020”, quem sobreviver saberá exatamente do que se trata. “Vírus 1918”: é a tal da Gripe Espanhola.

Pode parecer bobagem de historiador, mas realmente é uma injustiça que passe à história essa referência a países que não podem ser responsabilizados pela coisa e que alinham entre os mais vitimados.

Existe uma nomenclatura para as guerras: levam o nome do país perdedor. O que torna mais fácil manipular ideologicamente os atuais conflitos na mídia, sem que se saiba quem acabou levando a melhor. Ou quem foi o agressor, coisa que no entanto um mínimo de atenção ao cenário internacional denuncia.

Num certo sentido, a preocupação é tardia: tudo o que já se falou, publicou e veiculou, faz com que, dentro de algum tempo, venha a ser inevitável e irrevogável a denominação em uso. O que não é justo!

Crônicas da Vida Urbana
Key Imaguire Junior é arquiteto e Urbanista, graduado em 1972; Mestre em História do Brasil (1982) e Doutor em História das Ideias (1999). Todos os títulos pela universidade Federal do Paraná, onde foi professor de História da Arquitetura Brasileira, Patrimônio Cultural e outras disciplinas ao longo de 35 anos. É o idealizador da gibiteca de Curitiba, que em setembro de 2012 completou 30 anos de existência.
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