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Delícias da era digital

Na semana passada, contei dos meus desacertos com as nuvens da modernidade digital. Mas como a ideia de listar meus percalços era uma avaliação de até que ponto se trata de birra ou de aceitáveis objeções, ficou para hoje o que nela entendo como aceitável.
Poderia certamente começar com a facilidade de acesso a textos. Muita coisa considerada “inencontrável” está ao alcance de umas poucas manobras no teclado – seja o livro em si, seja sua digitalização. Esta serve, no meu caso, apenas como consulta: não uso, em trabalhos, informação alguma obtida pela internet. Mas nada tenho contra uma pesquisa em caráter preliminar por essa via, desde que consolidada por material verdadeiro.
Ganhei há tempos uma “História da Literatura Italiana” constando de seis CDs – com mais textos, históricos, críticas, referências do que eu conseguiria ler. Ou escutar, porque é coisa para gente grande e tem até músicas e obras de arte do período para contextualizar. Mas só uso – enquanto meu velho computador aceitar esse suporte – para “entrar” nos temas, depois vou atrás do livro.
Essa facilidade de consulta é mais do que para trabalho: em conversas, sempre tem aquela pausa difícil: “pô, deu branco, quem era mesmo o diretor daquele filme?” Aí tem alguém que saca do celular, acha o tal diretor e a conversa segue normal. Claro, tem os exagerados que querem também passar o filme inteiro na mesa do restaurante, mas daí já é falta de noção…
No que me diz respeito, a fotografia ficou muito facilitada. O que antes era escolher um filme, fazer as fotos (economizando porque o processamento era caro), revelar e copiar uma foto – era demorado difícil sem laboratório em casa. Com a foto digital, entre fazer a imagem e enviá-la para ser publicada, devidamente editada, é coisa de minutos – e nada custa, além do equipamento. A fotografia profissional, convencional, fica reservada a algumas áreas específicas.
A rapidez das comunicações é que é o grande avanço da Era Digital: como quem já organizou muitas viagens por telefone, Correio e fax, acho ótimo poder sentar no computador e, numa tarde, resolver todos os aspectos de uma viagem, por mais longa que seja. Menos como ganhar dinheiro para fazê-la, é claro.
E talvez essa seja a grande maravilha da Era Digital: as comunicações facilitadas ao extremo. Sem esses recursos, eu escreveria essa crônica a mão, datilografaria, enviaria num envelope para o DIARINHO – onde, recebida a página, alguém iria fazer a composição para ser impressa. Se houvesse modificação a ser feita, voltaria e tudo recomeçaria.

Key Imaguire Junior

Crônicas da Vida Urbana
Key Imaguire Junior é arquiteto e Urbanista, graduado em 1972; Mestre em História do Brasil (1982) e Doutor em História das Ideias (1999). Todos os títulos pela universidade Federal do Paraná, onde foi professor de História da Arquitetura Brasileira, Patrimônio Cultural e outras disciplinas ao longo de 35 anos. É o idealizador da gibiteca de Curitiba, que em setembro de 2012 completou 30 anos de existência.
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