Home Colunistas Crônicas da vida urbana Como dizia minha avó Maria…

Como dizia minha avó Maria…

Maria Florisbela Simas nasceu em 02/02/1902, em Tijucas. Faleceu em 30/11/1974, em Curitiba (PR)

A quem tem falta do que fazer durante a quarentena do Vírus Chinês, uma sugestão a mais é fazer registros – para os quais sempre se alegou falta de tempo. Organizar fotos e papéis, anotar coisas tipo “Eu me lembro quando” para não esquecer e repassar às novas gerações e de preferência deixando também o documento por escrito. Quem sabe que tipo de depoimento precisarão os historiadores do futuro, para contar nossos conturbados tempos?!
Um amigo português enviou uma coleção de provérbios lusitanos codificados em pequenos ícones, para serem interpretados. Reconhecemos a maioria, alguns “pegamos” o sentido mas não chegamos ao dito. Há tempos, lembro do Jaguar no Pasquim dizendo-se “de saco cheio de antigos provérbios chineses” – mas os lusitanos não ficam atrás em sabedoria popular oral.
Vejamos alguns, escolhidos pelo ineditismo – há mesmo suspeitas de que minha avó os inventava, tal a propriedade com que entravam nas conversas. Claro que o politicamente correto ainda não exercia seu poder de censura. Quem conhecer outros – de preferência da tradição açoriana, por favor pode me enviar, via redação do DIARINHO.
– Uns gostam dos olhos, outros da ramela;
– À mulher casada, não falta marido;
– Quem sai aos seus, não sai aos estranhos;
– Não é por gostar de toicinho que se vai carregar o porco às costas;
– A quem Deus não dá filhos, o diabo dá sobrinhos;
– Quem é burro, peça a Deus que o mate e ao diabo que o carregue;
– Quem não tiver na cabeça, tenha nas pernas;
– Fulano come sardinhas e arrota pescadas;
– Quem com porco se mistura, farelo come;
– Quem cabras não tem e cabritos vende, de alguma parte lhe rende;
– Lua nova trovejada, trinta dias terra molhada;
– Boa romaria faz quem em casa fica em paz;
– Nunca falta um chinelo velho pra um pé cansado;
– Morre o cavalo para o bem do urubu;
– Onde não entra o sol, entra o médico;
– Não é com toda sede que se vai ao pote;
– Casamento e mortalha, no céu se talha;
– Enquanto o pau vai e volta, folgam as costas;
– Passarinho que come pedra sabe o cu que tem;
– A merda, quanto mais se mexe, mais fede;
– Quem não furta nem herda, o que tem é merda;
– Mulher que não se enfeita, a si mesma enjeita;
– O que segura o pau é a casca;
– O direito do anzol é torto;
– Mixo como o último peido que Adão deu no Paraíso;
– Quem há de gabar o toco, se não a coruja?
– A quem muito se abaixa, o cu lhe aparece;
– Arame de ouro não é pra focinho de porco;
– Onde tem criança, nunca foi adulto que peidou;
– Tão bom é quem faz como quem consente;
– De pato a ganso, poucas léguas avançam;
– O que abunda não prejudica;
– Mais vale um gosto que dez tostões
– Mesa onde nada sobrou, alguém com fome ficou

Key Imaguire Junior

Crônicas da Vida Urbana
Key Imaguire Junior é arquiteto e Urbanista, graduado em 1972; Mestre em História do Brasil (1982) e Doutor em História das Ideias (1999). Todos os títulos pela universidade Federal do Paraná, onde foi professor de História da Arquitetura Brasileira, Patrimônio Cultural e outras disciplinas ao longo de 35 anos. É o idealizador da gibiteca de Curitiba, que em setembro de 2012 completou 30 anos de existência.
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