As pragas do egito

Acho que, quando a nuvem de gafanhotos se aproximou das fronteiras brasileiras, não houve quem não lembrasse das 10 pragas do Egito. Mesmo porque, em matéria de pragas, estamos muito bem servidos, talvez melhor que o Faraó. Vamos comparar?!

Primeira – O Nilo virou sangue, não se podia beber sua água. A nossa é pior: os rios estão poluídos e não se pode usar sua água para coisa alguma.

Segunda – Invasão das rãs. Tadinhas das rãs e dos sapos brasileiros, junto com todos os animais, estão em extinção pela via das agressões ambientais, desflorestamentos, poluição atmosférica – todo o festival de “dane-se o planeta, eu quero é lucrar”.

Terceira – E chegamos na dos mosquitos. Nessa, também estamos muito mais bem servidos: estão aí dengue, febre amarela, chicungunha e malária. No Egito, parece que era só a infernização das picadas, temos aqui um festival de doenças mortais transmitidas por eles.

Quarta – Moscas. Aqui dá pra escolher: uma corporação, uma classe, um partido, uma seita. Acho que na história da humanidade, nunca houve um país com tanta mosca nojenta.

Quinta – A peste nos animais: já se conseguiu afastar a Vaca Louca, mas é evidente que todos os animais que são criados confinados estão sujeitos a pestes. Há pouco tempo houve uma carnificina de aves, tinham sido atingidas por uma doença que até prejudicou as exportações, lembram?

Sexta – Úlceras. Bem, o Vírus Chinês não causa feridas, mas é um substituto à altura, concordam?!

Sétima – Granizo. As mudanças climáticas pelas quais estamos passando são bem piores: temos além do granizo, também os ciclones que antes não existiam, temporais tenebrosos com enchentes, estiagens e assim por diante.

Oitava – Gafanhotos. Dessa vez, desviaram – os uruguaios cometem o crime de estar bem, talvez por isso estejam sendo punidos… Mas de onde vieram esses, poderão muito bem vir outros, há algum desequilíbrio ambiental como causa, não lembro desse problema antes.

Nona – Trevas. Essa é o máximo da sacanagem, porque não é só a escuridão no céu: é o obscurantismo que agride nossa cultura, nossa educação, nosso meio ambiente e por aí vai.

Décima – A morte dos primogênitos. Essa é braba – mas temos por aqui as investigações dos primogênitos, que também serve…

Nos anos cinquenta, li um livro intitulado “A Bíblia tinha razão”, onde o autor argumentava que, com causas naturais ou sobrenaturais, todos os textos bíblicos se confirmavam na arqueologia. Podemos dizer que se confirmam também pela repetição, com adaptações aos tempos.

Será que surge algum Moisés pra nos salvar?!

Quadro “A Sétima Praga”, de John Martin

 
Crônicas da Vida Urbana
Key Imaguire Junior é arquiteto e Urbanista, graduado em 1972; Mestre em História do Brasil (1982) e Doutor em História das Ideias (1999). Todos os títulos pela universidade Federal do Paraná, onde foi professor de História da Arquitetura Brasileira, Patrimônio Cultural e outras disciplinas ao longo de 35 anos. É o idealizador da gibiteca de Curitiba, que em setembro de 2012 completou 30 anos de existência.
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