Roberto Azevedo

O que será da base de Moisés?

Desde que foi eleito na onda de Jair Bolsonaro, o governador Carlos Moisés da Silva carrega o benefício da dúvida de seus novos aliados e adversários sobre como seria o relacionamento dele com a Assembleia, um misto de incógnita e pessimismo.

Passados quase 10 meses de administração, Moisés ainda patina em manter coesa a base de apoio, que já foram 28 deputados, hoje desidratada pelo próprio partido dele, o PSL, onde declaradamente três dos seis parlamentares (Ana Caroline Campagnolo, Jessé Lopes e, agora, Sargento Lima) decidiram romper com o governador por motivos variados: de críticas ideológicas ao não cumprimento de pedidos de categorias que representam, como no caso dos praças da Polícia Militar e Bombeiro Militar.

A falta de experiência e de jogo de cintura do inquilino da Casa d’Agronômica tornou-se um mantra entre os críticos do governador, o que alcança alguns da base, mas resta a analogia do que ocorre com o presidente Jair Bolsonaro, que, com 28 anos de Congresso, na condição de deputado federal, não consegue escapar das armadilhas da dita bancada de apoio, muito por conta dos revezes com o próprio PSL.

 

O problema

Sem uma estrutura definida, um conjunto, a maioria dos eleitos pela onda Bolsonaro, principalmente os agrupados no PSL, jogam o mesmo jogo do presidente: falam para os seus nas redes sociais e não constroem uma unidade. Ao pregarem a “nova política”, incorrem no erro mais frequente da velha prática que dizem condenar, ou seja, são personalistas, cada um por si, e desconhecem os meandros da atividade que é dialogar e acordar, notoriamente fazer concessões quando necessário.

Há um ponto de equilíbrio

Tanto em nível nacional quanto estadual, os problemas de Bolsonaro e Moisés são semelhantes, por razões diferentes, já que estão à frente de um grupo heterogêneo demais. O ponto de equilíbrio, e ele existe, da bancada do PSL no Congresso é se unir para fazer oposição ao chefe do executivo mais próximo ou defendê-lo, uma ruptura que enfraquece o modelo de governo que levaram à vitória nas urnas, risco só apreciado pelos opositores.

Axioma

Moisés não tem usado o mesmo expediente, que para os seguidores de Bolsonaro é virtude, de, há toda semana, reviver o seu embate com os adversários mais ferrenhos, no caso PT e companhia. O beligerante comportamento serve para alimentar a campanha, que a exemplo do que fez quatros anos antes de se eleger presidente, já começou no entendimento do presidente da República, que busca manter seu eleitorado, de 25% a 30%, engajado na mesma luta. Se Bolsonaro sair do PSL, possibilidade que não deve ser descartada, leva consigo este grupo e parlamentares, os que se arriscarem a perder o mandato, e inauguraria a filiação na oitava sigla diferente.

O ataque a Admar

A turma de Luciano Bivar, presidente nacional do PSL em rota de colisão com o presidente da República, tratou de entrar em campo para desqualificar o advogado Admar Gonzaga Neto, advogado de Jair Bolsonaro e principal estrategista para que uma eventual saída do presidente do atual partido não traga prejuízo a quem o seguir e tiver mandato legislativo. Levantaram o fato de que, em junho passado, Admar virou réu por lesão corporal no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, em uma ação movida pela ex-mulher dele, Élida Souza, que o acusa de agressão. A ação tramitava no Supremo, desde 2017, quando ele tinha o foro especial por ser ministro do TSE, com denúncia assinada pelo Ministério Público Federal, e foi para a 1ª instância tão logo Admar deixou a corte, em abril deste ano.

Tem que mudar

O futuro da base de Moisés na Assembleia é incerto, a menos de um ano das eleições municipais, mobilização política capaz de transformar eventuais aliados em inimigos de ocasião, muito mais do que adversários. Quando se critica o governador pela necessidade de mudar a forma de construção de sua base, e com certa razão, o recado está em dar novo rumo às conversas e compromissos de manutenção, caso contrário as figuras mais experientes do cenário político, de PP, MDB, PL e PSD entrarão em campo com sede e dispostos a desestabilizar tudo que encontrarem pela frente.

Passe valorizado

Depois de ser convidado pelo MDB, agora será a vez do PSD fazer uma ofensiva para atrair o prefeito de Blumenau Mário Hildebrandt (sem partido). A aproximação não demora, depende do deputado Milton Hobus, presidente da sigla, e os pessedistas teriam o trunfo de aproximação com o aval do ex-prefeito Napoleão Bernardes recém-chegado ao partido e que tinha Hildebrandt como vice.

Estratégia

O PSD quer ter nomes nas principais cidades do Estado na disputa às prefeituras, sem esquecer de compor onde já possui afinidade, leia-se Criciúma com Clésio Salvaro (PSDB); Tubarão, no apoio a Joares Ponticelli (PP); e Jaraguá do Sul, na campanha à reeleição de Antídio Lunelli (MDB). Os dois primeiros têm vices pessedistas, Ricardo Fabris e Caio Tokarski, e Lunelli está com Udo Wagner (PP).

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