Pede para sair

O secretário Douglas Borba (chefe da Casa Civil) do governo do Estado, convidado a deixar a administração estadual por ter a posição insustentável no governo Carlos Moisés da Silva, praticou o “pede para sair” e solicitou a exoneração do cargo neste domingo.

A demissão era esperada por não existir a menor condição e credibilidade para ele prosseguir como articulador do Executivo junto à Assembleia, demais poderes e órgãos com autonomia financeira ou mesmo às prefeituras e à sociedade.

Borba era uma espécie de contágio em plena pandemia, o “Douglasvírus”, que espalhou ao longo de um ano e quatro meses de governo Moisés seus tentáculos por toda a estrutura, com indicações e fiéis escudeiros, pressionava os demais integrantes do colegiado com o uso do nome do governador e ganhou muitos poderes, justamente os que provocaram o que agora terá o direito de se defender.

A esperada saída de Borba, ocorre quase um mês depois de ter o nome relacionado a dois assessores jurídicos do Hospital Psiquiátrico Espírtia Mahatma Gandhi, que deveria tocar o primeiro Hospital de Campanha em Itajaí, e ter sido objeto de uma saraivada de acusações por parte da servidora pública Márcia Regina Geremias Pauli e do ex-secretário da Saúde Helton Zeferino que o responsabilizam pela indicação da empresa Veigamed.

Os fatos

Borba se defenderá fora do governo que ajudou a mergulhar em uma crise sem precedentes, com o que já era um fracasso na composição com os deputados estaduais, virou caso de polícia com a divulgação da compra de 200 respiradores da empresa Veigamed e a antecipação do pagamento de R$ 33 milhões.

Ministério Público, TCE, polícia Civil fizeram a primeira investida da força-tarefa, no sábado (9), com a Operação O2 (Oxigêncio) e a imagem de Borba na sala da DEIC, ao depor, revelada pela NSC TV, foi o desgaste que faltava para o epílogo, a pá de cal na relação já desgastada com o governador.

O influente

A influência de Douglas Borba, um advogado e vereador em Biguaçú (licenciado desde 2019), na Grande Florianópolis, até o início deste ano filiado ao PP, começou na campanha ao governo em 2018.

Era a figura incansável ao lado de Carlos Moisés, nas ruas, nos eventos, nos debates, desde os tempos das vacas magras, quando o eleitor ainda não relacionava o candidato do PSL ao 17 de Jair Bolsonaro. Com a derrocada de Lucas Esmeraldino (secretário do Desenvolvimento Econômico Sustentável),  que teve que deixar a presidência estadual do PSL depois do início da administração de Moisés, Borba trocou de partido e virou secretário-geral da sigla no Estado e ganhou amplos poderes.

A nota oficial

Passava das 13h10 deste domingo (10) quando a secretaria Executiva de Comunicação do governo do Estado, subordinada à Casa Civil, emitiu a nota oficial sobre a saída de Douglas Borba. Leia na íntegra:

Quedas e quedas

A saída de Helton Zeferino da Saúde já havia sido dolorida para Moisés, afinal era, além do responsável pela política de isolamento social e combate ao coronavírus, um oficial do Corpo de Bombeiros Militar, da mesma patente do governador, um irmão de armas, e que defendia mais do que o cargo, a própria honra ao ser envolvido em um denúncia de fraude e suposta corrupção, tanto que, mais tarde, teve os bens indisponibilizados. A demorada retirada de Borba é igualmente um duro golpe na equipe do governador, que, desde a semana passada sabia, sabia de uma possível rebelião, com muitos cargos postos à disposição e saídas em massa do primeiro escalão se o secretário ficasse no cargo.

Bastidores

Borba há dias não frequentava mais a Casa d’Agronômica, residência oficial do governador Carlos Moisés, algo que foi quebrado neste domingo (10). Terá a oportunidade de se explicar às autoridades e à CPI dos Repiradores na Assembleia, mas antes, quem testar positivo para o “Douglasvírus” terá que deixar o governo do Estado, o que, garante, se colocado em fila, mais vai parecer uma diáspora digna dos relatos históricos, sabe se lá em que direção, mas nada livra, por ora, Moisés do desgaste e da possibilidade de ter que enfrentar um processo para manter o cargo.

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