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Paulo Eli no centro da polêmica

Paulo Eli no centro da polêmica

Roberto Azevedo

A falta de um assunto palpitante, como a reinstituição da política de incentivos fiscais ou o ICMS sobre os agrotóxicos, não tirou o secretário Paulo Eli (Fazenda) da mira dos deputados estaduais, mesmo na véspera em que ele apresentará os dados da execução orçamentária do primeiro semestre e o relatório de gestão fiscal do primeiro quadrimestre.
Em discussão no plenário, nesta terça (27), uma moção de repúdio ao secretário pelas declarações de Eli sobre uma eventual sonegação generalizada de Io setor de bares e restaurantes, teve lances hilários.
O deputado João Amin (PP), autor do pedido, assinalou que, em se tratando de Paulo Eli e do governo, “não se sabe quem será a próxima vítima,” ao se referir aos diversos setores que tiveram mudança na tributação.
O líder do governo, deputado Mauricio Eskudlark (PL) disse que a moção era desnecessária pois o secretário já havia pedido desculpas públicas sobre o fato e o que se desenhava, naquele momento, era a continuação de um debate que sugeria “vão matar o hômi (sic) ou fazer o quê?”.

O resultado
Em determinado momento, o próprio Eskudlark disse que votaria 1, o sim, pela moção, enquanto Amin pediu que a votação fosse nominal. No painel, o líder do governo votou não e provocou a reação do proponente da moção, que exigia o cumprimento da promessa feita ao microfone. Eskudlark retificou, mas a moção foi rejeitada.

As reações
Não satisfeito com a celeuma, o deputado Kennedy Nunes (PSD) pôs lenha na fogueira, exigiu a recontagem e mudança do resultado, ao alegar que os 10 a 9, mais duas abstenções, deram a vitória à aprovação da moção. O sempre perspicaz presidente da casa, Julio, saiu-se com duas homéricas: primeiro saudou Kennedy por estar no Brasil e a fazer o aparte (o deputado tem viajado muito em função da presidência da Unale), e, segundo, disse que a solução era “simples, basta saber contar até 11 (maioria simples dos presentes) para determinar o resultado”, mesmo com a reversão do voto de Eskudlark.

Longe dali
O secretário Paulo Eli reuniu-se com representantes da Abrasel, Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (Acif) e CDL da Capital para tratar do mal-entendido da suposta sonegação. Panos quentes na situação e uma conversa boa em que Eli reforçou o pedido de desculpas.

Futuro
A coluna já deu esta informação, porém vale relembrar. A fiscalização é o melhor remédio para separar o bom pagador de tributos do sonegador, e, provavelmente a partir do ano que vem, a Fazenda ganha uma nova ferramenta: as compras a crédito ou débito serão avisadas via eletrônica à Secretaria a partir dos bancos ou das operadoras de cartões, o que tornará muito difícil dizer que o pagamento não foi feito.

Cafezinho, este vilão!
A campanha deliberada contra o cafezinho nas repartições públicas ganhou proporções inimagináveis em reportagens em que até o uso do pó da iguaria, no país que mais o produz, é questionado em nome da economia do dinheiro do contribuinte. É bem verdade que foi o governador Carlos Moisés da Silva que deu luzes a este elemento capaz de desestabilizar as contas públicas, o cafezinho, mas agora o centro da discussão aponta para as máquinas de café alugadas na Assembleia, cada uma no valor de R$ 7 mil por ano.

Um “escândalo”
Alguns deputados chegaram a interditar as máquinas em seus gabinetes com fita de isolamento de investigação policial, ou seja, o artefato e o produto são comparados a elementos criminosos. Só que quem convive no dia a dia da Assembleia sabe que tem muita gente saindo de um gabinete sem máquina e indo a outro que ainda a possui para filar o líquido proibido.

OS CÁLCULOS DE WEBER
Todos concordam ou deveriam que dinheiro público não é capim, o que não tira o exagero de cálculos mirabolantes sobre alguns itens, como o cafezinho. O deputado Volnei Weber (MDB), ex-prefeito de São Ludgero, fez os cálculos na defesa de manter a tal máquina de café em seu gabinete. Dividiu os R$ 7 mil anuais pelo número de meses de utilização, um custo mensal em torno de R$ 600. Depois cruzou com o número de pessoas que vêm do interior e o visitam. O resultado foi menos de R$ 1 (isso mesmo, um real) por copo servido. Então, Weber indaga: em que lugar vou comprar um cafezinho abaixo deste valor?

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