Home Colunistas Coluna Roberto Azevedo O PSL redefine seus líderes regionais

O PSL redefine seus líderes regionais

O PSL redefine seus líderes regionais

Roberto Azevedo

Nos próximos 60 dias, a configuração dos 221 diretórios municipais do PSL, partido do governador Carlos Moisés da Silva e do presidente Jair Bolsonaro, estará renovada com a perspectiva de dar segurança aos candidatos a prefeito, vice e vereadores na eleição de 2020.
O presidente estadual pesselista, o deputado federal Fabio Schiochet, considera que esta destituição das comissões provisórias, formalizada no início desta semana, garante segurança aos postulantes a prefeito para que construam a política de alianças e as composições necessárias para fortalecer os projetos.
Com meta de ter entre 100 e 120 candidatos a prefeito, eleger 60 mandatários e entre 200 e 300 vereadores, o PSL procura ganhar a musculatura de um grande partido de direita e não só o de representante da ideologia que saiu vitoriosa nas últimas eleições na esteira da onda Bolsonaro.

COM JEITO DE PRÉ-CANDIDATO

Presidente estadual do Democratas, o ex-deputado federal e ex-prefeito João Paulo Kleinübing tem percorrido o Estado de olho em 2020, acompanhado do inseparável vice-presidente de Assuntos Municipais da sigla e ex-chefe de gabinete Alan Schoeninger. O trabalho de remontagem em cada município é prioritário e Kleinübing já declarou que, em Navegantes, Brusque, Criciúma, Joinville, Chapecó, Xaxim, Balneário Camboriú, Camboriú, Bombinhas, Pomerode e Biguaçu, por exemplo, o DEM tem expectativa de ter candidatos a prefeito ou vice. Quando os holofotes se voltam para Blumenau, cidade que administrou por duas vezes, o presidente demista admite que não tem a decisão tomada quanto à sua participação na disputa, porém crava com todas as letras que é assunto estratégico e que o partido terá candidato a prefeito. Para bom entendedor, tá dito.

Referências
Os seis deputados estaduais – o que aparentemente afasta o fantasma de expulsões de dois deles, Jessé Lopes e Ana Caroline Campagnolo, que criticaram duramente o governador Carlos Moisés – e os quatro federais terão papel fundamental na construção dos diretórios, na visão de que ninguém conhece a região de suas bases melhor do que eles.
Fabio Schiochet acentua que haverá a participação direta de Moisés, como maior liderança da sigla, principalmente nos 30 maiores municípios catarinenses, que necessariamente terão candidatos da sigla a prefeito e o dedo do governador na escolha dos nomes.

Harmonia
Em Joinville, maior colégio eleitoral do Estado, até mesmo as diferenças entre o deputado federal Coronel Armando e o deputado estadual Sargento Lima foram superadas e ambos trabalham para compor o diretório local.
Sinal de que a insurreição dos federais, que um dia ameaçou a presidência de Lucas Esmeraldino, é coisa do passado.

A pesquisa
O PSL pôs uma pesquisa na rua que ficará pronta em 30 dias para avaliar potenciais nomes para disputar a eleição do ano que vem.
Em no máximo 30 dias completa o mapa, mas em 20 cidades, que não foram citadas por Schiochet, já é possível ter a visão clara de nomes com potencial e, inclusive, já poderiam estar com os diretórios montados.

De “esquerdista” à referência
Quando o governador Carlos Moisés sugeriu no Cosud, consórcio dos estados das regiões Sul e Sudeste, que os governadores deveriam ajudar a combater as queimadas na Amazônia, foi taxado de “comunista” por muita gente do PSL e de outros partidos de direita, os autointitulados conservadores, que viam na manifestação dele um respaldo às denúncias de ações deliberadas de fazendeiros, grileiros e garimpeiros.
Moisés é coronel do corpo de Bombeiros Militar da reserva remunerada, entende do riscado e, agora, passada a euforia de quem entrou de cabeça no discurso anterior do presidente Jair Bolsonaro, de que não havia problemas nos estados do norte do país, o ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) formalizou a solicitação oficial de ajuda à corporação catarinense para atuar nos focos de incêndio na maior floresta tropical do planeta. Nada como um dia após o outro.

Nas internas
A tese contra Moisés foi levantada pela turma que está indignada com ele pela posição independente, tanto que o governador recebeu, na Casa d’Agrônomica, o vereador Marcos José de Abreu, o Marquito (PSOL), de Florianópolis, e o promotor de Justiça Daniel Paladino, que foram cumprimentá-lo pela implantação da Tributação Verde, agora adiada para janeiro do ano que vem.
Se Moisés não havia sido lembrado pelo que falou da Amazônia, o peso dado pelos mesmos críticos conservadores é outro quando elogiam a posição da ministra Damares Alves (da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos) por ela ter recebido de tribos indígenas a proposta de auxiliar no combate às queimadas por conhecerem a região.

Não acabou 1
Presidente da Faesc, o ex-deputado José Zeferino Pedrozo circulou pela Assembleia nesta quarta (28) para tratar da MP que prorrogou até 31 de dezembro a isenção da cobrança do ICMS sobre os agrotóxicos no Estado, a chamada Tributação Verde.
Zezo quer que os deputados prorroguem a medida até abril, quando vencem os convênios autorizados pelo Confaz.

Não acabou 2
Os deputados podem até aprovar parte da medida provisória, o que obrigaria a matéria que vale por 60 dias, prorrogáveis por mais 60, voltar ao Executivo e, depois, tramitar mais uma vez nas comissões da Assembleia.
A questão é que esta empurrada com a barriga não só fere o que foi acordado com o governo, sob a lógica de que garantiria a próxima safra que está sendo plantada agora, como também ignora que o assunto começa a ser analisado pelo Confaz em dezembro próximo.

Mais outra
Zezo carrega o pedido de prorrogação junto com a expectativa do setor produtivo que também inclui a possibilidade de que, aprovada a Reforma Tributária, o assunto ganhe outros contornos, ou seja, a cobrança de impostos sobre insumos iguale a situação em todos os estados.
Nada disso resolve a grande questão: não haverá saída senão mudar a planta de utilização de defensivos agrícolas, a maioria utilizada no país já é rejeitada por países europeus, no Japão, na Coreia do Sul e até na Rússia, mercados do agronegócio catarinense.

Veto total
O governador Carlos Moisés apresentou veto total ao projeto de lei 236, aprovado pela Assembleia, que mantinha algumas isenções fiscais da cesta básica e cuja sanção venceu nesta quarta.
Eis a explicação: “O projeto é inconstitucional e contrário ao interesse público por não observar o artigo 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal e por gerar impacto orçamentário e financeiro nas contas públicas, conforme pareceres da Fazenda e da PGE. Além disso, a MP suspendeu até 31/12 os efeitos do decreto 1.866/2018, resultando na perda do objeto do PL 236”. Aliás, na Assembleia, os parlamentares já esperavam por esta decisão do governador.

Estudo
Na esteira de muitos políticos que foram se preparar melhor na academia, como Napoleão Bernardes (PSD), que faz doutorado na Univali, em Itajaí, João Paulo Kleinübing vai buscar ensinamentos do outro lado do Atlântico, no Hemisfério Norte. Começa dia 14, em Londres, seu mestrado em desenvolvimento sustentável de cidades na London School of Economics, com aulas presenciais durante uma semana a cada dois meses, o que não atrapalhará a missão partidária.

Compartilhe:

Deixe uma resposta

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com