Home Colunistas Coluna Roberto Azevedo Mudar de sigla não muda a história

Mudar de sigla não muda a história

Mudar de sigla não muda a história

Mais inócuo do que trocar o nome do partido político para fugir de um histórico de corrupção parece ter se tornado a cruzada de prefeitos em trocar de filiação para escapar de eventuais ilações no ano que vem, mesmo que as denúncias estejam localizadas na cúpula nacional e a centenas de quilômetros de Santa Catarina.
O prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, fez o movimento mais forte neste sentido, após ter sido vereador, deputado federal, deputado estadual, secretário municipal e prefeito eleito pelo MDB, além de ter concorrido ao cargo sem vencer, em 2012, também pela sigla.
Gean foi alertado por pesquisas de opinião pública que indicavam para a queda de aceitação dele junto ao eleitorado quando seu nome era relacionado à sigla, que está entre as que nacionalmente mancharam de vez a imagem, tal qual o PT, o PP, o PSDB e o PSD, sem contar algumas chamuscadas no DEM, principal aliado do presidente Jair Bolsonaro (PSL).
É inevitável que os adversários não deixem a sociedade esquecer o passado eleitoral, principalmente de quem concorre à reeleição, como no caso de outros prefeitos de importantes cidades, tais como Volnei Morastoni, que era do PT antes de se filiar ao MDB e retornar à prefeitura de Itajaí, ou Mário Hildebrandt (licenciado do PSB), de Blumenau, cujos endereços partidários parecem mais abrigos temporários, enquanto o ônibus de outra legenda não passa.

UMA PERSPECTIVA MELHOR

Presidente da Comissão Especial no senado que analisará a Reforma da Previdência que ainda precisa passar pelo segundo turno na Câmara, a partir de 6 de agosto, o senador Tasso Jereissati (PSDB)-CE, sentado à direita, deve ter dado a solução mágica para incluir estados e municípios no novo modelo. Para Tasso, que acompanhou o trabalho dos deputados federais, em uma comissão paralela, justamente para acelerar os debates no Senado, a construção de uma outra PEC, que não interferisse na análise do que deverá ser aprovado e que não levaria o projeto a ter que retornar à Câmara, seria o ideal.

A sugestão
Gean ainda enfrentou as agruras da Operação Chabu, da Polícia Federal, com uma prisão que não se confirmou mas deixou cicatrizes, embora falte estabelecer o que o ligaria ao suposto esquema de vazamento de operações contra a corrupção. O prefeito tem se valido das inúmeras obras e ações que melhoraram o desempenho financeiro da administração para apagar o ocorrido com a borracha do trabalho intenso e sem pressa, pois, a exemplo dos demais, tem até o fim de março do ano que vem para se filiar em outro partido.

Quase abortada
A filiação do prefeito Joares Ponticelli, de Tubarão, no PSL, ficou mais distante depois da entrevista que ele concedeu à Unisul TV, na última quinta-feira (11), quando declarou que não tinha motivos para deixar o partido. Ainda na TV, o prefeito declarou que, em recente viagem a Brasília, teve uma boa conversa com o senador Esperidião Amin, o que aparentemente esfriou o assunto.

Espaço
Ponticelli, atual presidente da Fecam, ex-presidente da Assembleia e estadual do Progressistas, há muito está em evidência no cenário político do Estado, ganhou luz própria mesmo quando foi vice de Paulo Bauer (PSDB) ao governo em 2014, ou trabalhou pelo apoio a Gelson Merisio (então no PSD), ano passado, apesar de ainda buscar espaço no atual partido. Merisio, que hoje procura uma sigla, pode filiar-se ao PP, o que significa não abrir mão do importante aliado.

Desabafo
Do deputado federal Darci de Matos (PSD) ao final da sessão da Comissão Especial que aprovou o resultado do primeiro turno em plenário da Reforma da Previdência, já na madrugada de sábado (13), para dar uma ideia de que a matéria acabou com certos privilégios: “Anistiados políticos vão ter de pagar Previdência, assim como aqueles que recebem supersalários e vão pagar mais. Os bancos também vão pagar”.

O jogo dos sete erros
A Câmara de Vereadores de Florianópolis poderia ter antecipado o debate sobre o vale-alimentação ou o aumento da verba de gabinete e esclarecer que as resoluções da mesa sequer precisam passar pela sanção do prefeito Gean Loureiro (sem partido), pois estão incluídas na prerrogativa de autonomia administrativa e financeira da casa. Por se tratar de um projeto de resolução, independe da interferência do governo municipal, mais um ato de desinformação que sequer foi rebatido pelo presidente Roberto Katumi (PSD), que, a exemplo dos demais integrantes da legislatura, sucumbiu à opinião pública sem explicar nada. Virou refém.

Voltaram atrás
Quando se comete um erro desta envergadura, não havia outra saída para os vereadores da Capital senão voltarem atrás no vale, de R$ 1 mil, e reavaliarem o aumento na verba de gabinete em cerca de R$ 5 mil. Tudo desmontado em sessão extraordinária, na segunda (15), com direito a pedido de desculpas do presidente da casa pela legítima pressão da sociedade.

Made in SC
Um projeto que cria o Fundo de Incentivo à Formação Superior e que concede bolsas de estudos para estudantes carentes nas faculdades privadas deve ser aprovado hoje (terça) na Comissão de Educação do Senado. Algo semelhante aos artigos 170 e 171 da Constituição de Santa Catarina. O projeto é relatado pelo senador Jorginho Mello (PL) e determina que as bolsas só poderão ser concedidas para alunos com renda não superior a um salário mínimo e meio e que tenham nota superior a 400 pontos no Enem e nota superior a zero na redação da mesma avaliação.

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