Home Colunistas Coluna Roberto Azevedo A máfia que age em meio à tragédia

A máfia que age em meio à tragédia

Novos fatos mostram que a mesma ação nefasta que levou ao pagamento antecipado de R$ 33 milhões por 200 respiradores, feito pelo governo de Santa Catarina, sem que prazos fossem cumpridos ou que foi adquirido entregue de acordo com o contratado, trata-se de uma ação criminosa que se espalhou pelo país.

Fruto da ganância, grupos se aproveitaram da necessidade de compra dos equipamentos para garantir lucros com o dinheiro público, uma sequência de crimes que vai além da compreensão do contribuinte.

Se, no Estado, apenas 50 dos 200 equipamentos foram entregues, inferiores em qualidade e propósito dos adquiridos pela secretaria Estadual de Saúde, o mesmo número de peças foi repassado ao governo de São Paulo, comandando por João Doria Júnior (PSDB), que pagou quase R$ 250 milhões, antes de receber, de um lote de três mil aparelhos.

Como não fosse suficiente, a construção de hospitais de campanha, abortada, por ora, pelo governo de Carlos Moisés, é pano de fundo de uma investigação do ministério Público Federal e da polícia Federal, que bateu à porta do governador Wilson Witzel (PSC), no Palácio das Laranjeiras, que inclui o coquetel completo do “Coronakit”, luvas, máscaras, faceshields e tudo mais dos equipamentos de proteção individual (EPI).

Estratégia?

Vazamentos seletivos dos depoimentos dos ex-secretários Douglas Borba (Casa Civil) e Helton Zeferino (Saúde), além das declarações dadas pela servidora Márcia Regina Geremias Pauli, ex-superintendente de Gestão Administrativa da Secretaria da Saúde, concedidos ao Ministério Público, têm o propósito de tirar o foco dos três, os mais aguardados na CPI dos Respiradores. A participação deles estava programada para terça e foi abortada com o registro de um caso de coronavírus, que suspendeu as atividades na Assembleia, e a Comissão já recebeu os autos onde constam os depoimentos, e, a depender de quem liberou os pronunciamentos, a estratégia duvidosa pode ter dado em nada.

Chutado para cima

A expressão vem da iniciativa privada quando determinado executivo ou CEO de uma grande empresa é trocado de cargo não pelo mérito, mas pela necessidade de substituição, normalmente por desgaste.Com Lucas Esmeraldino o adágio cabe como uma luva, pois sair do Desenvolvimento Econômico Sustentável e ir para Articulação Nacional, com base em Brasília, pode até parecer que foi um reconhecimento pela parceria com Moisés desde os tempos da campanha ao governo, porém não passa de despachar o problema para longe. Ou Moisés não teve a coragem para se livrar de vez.

Antes

O governador Moisés recebeu um grande apoio de 100 entidades que assinaram um documento antes da reunião na Casa d’Agronômica. Nele, empresários do movimento Reage SC disseram que o foco deve estar, neste momento no combate ao coronavírus e que “as entidades que subscrevem esta nota lamentam qualquer debate sobre a vida pessoal de quem quer que seja, ainda mais neste momento, no qual os olhares devem ser dirigidos exclusivamente ao bem-estar dos cidadãos”.

 

ANTES DA POLÍTICA, O EMPRESARIADO!
Louvável sob todos os aspectos, a reunião do governador Carlos Moisés da Silva, acompanhado do secretário Amândio João da Silva Júnior (Casa Civil), com o Conselho de Federações Empresariais do Estado, na Casa d’Agronômica, onde foi oficializada a criação do Conselho de Governança, fórum em que o Executivo Estadual pretende ouvir sugestões do setor produtivo e do varejo, missão que envolverá os demais poderes e órgãos com autonomia financeira. Na prática, Moisés abre o diálogo, sem terceirizar as decisões, mas começa pelo empresariado as mudanças que devem chegar ao ambiente político, o grande desafio de convencer deputados a entrarem na base do governo. Amândio, que é empresário e militou na Facisc, abre portas para este amplo diálogo, até mesmo com a possibilidade dos líderes da iniciativa privada palpitarem sobre o substituto de Lucas Esmeraldino na secretaria de Desenvolvimento Econômico Sustentável.

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