Home Colunistas Coluna Roberto Azevedo A hora de mudar de estilo

A hora de mudar de estilo

Até hoje, os encontros entre o governador Carlos Moisés e deputados estaduais, que ele considera da base, sempre foram tratados às escondidas, como se nunca tivessem ocorrido, com vazamentos pontuais na boca de alguns poucos parlamentares que ousam traduzir em palavras o que parece ser proibido ou em fotos nas redes sociais, dias depois.

As razões sempre foram claras, relacionadas à imagem que Moisés e seu grupo mais próximo, incluindo os eleitores que respaldaram nas urnas o presidente Jair Bolsonaro, e que, ao longo dos últimos dois anos, demonizaram a prática do diálogo e do consenso, da boa política, com o discurso desgastado de que isso era conchavo ou toma lá dá cá, uma abominação que trava qualquer diálogo franco.

Esta prática mudou em Brasília, a tal da nova política, foi esquecida por Bolsonaro, fechado com o chamado Centrão (PP, PL, PTB, Republicanos) e a distribuir cargos em nome da governabilidade, algo para o qual o “romantismo” de Moisés e seu principal articulador político, o vereador Douglas Borba (secretário da casa Civil), sempre torceram o nariz.

Borba caiu no turbilhão de denúncias vindas de todos os lados, sobre a compra de respiradores, a malograda dispensa de licitação do Hospital de Campanha de Itajaí e das pressões que exerce sobre seus colegas de colegiado, que passou dos limites, enquanto Moisés corre risco de perder o mandato porque não tem base, um epílogo de erros elementares de trato com a Assembleia

Na ponta do lápis

A costura de apoio sempre foi proposta em cima de temas, não sobre um projeto unificado de governo, falta de um refinamento político. Por isso, na semana que vem, quando o deputado Maurício Eskudlark (PL), ex-líder do governo, protocolar o pedido de impeachment, baseado no argumento de que Moisés pagou com o dinheiro público antecipadamente por um produto que não foi entregue ao Estado, o governador terá correr para garantir os 26 votos para não ser afastado, número que dificilmente tem hoje.

E ela

O porém da tese do impeachment é o governo ir parar nas mãos da vice Daniela Reinehr (Aliança Pelo Brasil), filiada a um partido que sequer tem registro definitivo no TSE e que se apega unicamente na figura de Jair Bolsonaro, pois tal qual Moisés não possui qualquer experiência política. Sair de um desconforto para entrar em outro, sem a perspectiva que o jeito de administrar mude, é tão temerário na visão de muitos parlamentares do que a oportunidade de fazer Moisés sangrar politicamente, o que abriria portas para 2022 e se evitar a reeleição.

Erro

O governador Carlos Moisés participou de entrevista com o Lide Nacional e mirou a arma para o lado errado ao dizer que a imprensa ignora a presunção de inocência, sem relatar que a administração estadual deu pouca ou quase nenhuma atenção às denúncias sobre os respiradores, só depois avaliou, tardiamente, o peso do estrago. O que o governo considerou algo normal, previsto em lei em casos de exceção e de calamidade pública, ignora que nem mesmo a teia criada para evitar fraudes e corrupção foi acionada, o que provocou o grande barulho, tampouco conseguiu explicar o porquê do papel do Grupo Gestor ter sido deixado de lado na análise da compra de R$ 33 milhões.

Força-tarefa

Finalmente, Ministério Público Estadual, Polícia Civil e Tribunal de Contas assinaram uma portaria em que definem uma força-tarefa para atuar em conjunto nas questões administrativas e criminais do rumoroso caso dos respiradores. O compartilhamento de informações e documentos é essencial para evitar sobreposições ou mesmo eventuais vaidades, e segue o rito de que cada órgão tem sua competência para tratar de determinados pontos, como salientam o procurador-geral de Justiça, Fernando da Silva Comin; o delegado-geral da Polícia Civil Paulo Koerich, e o conselheiro Adircélio de Moraes Ferreira Júnior, presidente do TCE.

Caminho certo

Era tanta força e empenho que o deputado Ivan Naatz, relator da CPI dos Respiradores, solicitou ao MP que compartilhe as informações e provas que coletar com a comissão na Assembleia. Naatz já havia dito que trabalharia de maneira integrada com os demais órgãos e até mesmo com os resultados das sindicâncias internas do Executivo

Maratonas

Ao apresentar o novo comandante-geral da PM, coronel Dionei Tonet, o governador Carlos Moisés lembrou que eles disputaram muitas provas de maratona na Academia que forma os oficiais militares do Estado e tinham muitas medalhas. Tonet tem a missão de manter o trabalho nas ruas em plena pandemia e a tarefa de substituir o competente Araújo Gomes, que assumirá a secretaria Nacional de Segurança.

NEM EM CASA!
Foi protocolado na Câmara de Vereadores de Biguaçú, o pedido de cassação do mandato do vereador Douglas Borba (PSL), na hipótese dele deixar o governo e retornar ao Legislativo local. A autora é a vereadora Salete Cardoso, mais uma na linha de frente pertencente ao PL, assim como os deputados estaduais Maurício Eskudlark e Ivan Naatz. O argumento da vereadora: a população da cidade não quer ser envolvida no escândalo dos repiradores. Douglas é vereador licenciado.

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