Home Colunistas Coluna Roberto Azevedo Esqueceram de perguntar ao eleitor

Esqueceram de perguntar ao eleitor

Muitos disparates e equívocos foram cometidos em nome da legalidade ou sob o abrigo da Constituição Federal, o maior argumento do ministro José Roberto Barroso, presidente do TSE, para defender a manutenção das eleições ainda este ano, ato que conta com a conivência explícita dos presidentes da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

Reunido com deputados federais e senadores, esta semana, Barroso desfiou uma série de teses e convenceu os parlamentares, líderes de partidos e bancadas, que o melhor caminho será realizar o 1º turno em 15 de novembro e o segundo dia 29 do mesmo mês, na confiança de que a pandemia esteja debelada, que os riscos sejam zerados e milhões de eleitores sejam empurrados para filas enormes e tenham contato com os mesmos ambientes e equipamentos.

Não fossem esses os únicos aparentes entraves, Barroso, Maia e Alcolumbre não disseram ainda ao eleitor que democracia é cara e que esta aventura eleitoral, sem clima para a realização, custará em torno de R$ 4,1 bilhões ao contribuinte, isso mesmo, em um país quebrado, com estados e municípios à bancarrota, também por causa dos efeitos do coronavírus.

Cada um desses atores, Judiciário e Congresso Nacional, tem interesses próprios para manter a disputa, as bases cabrestadas, impedir que adversários sejam mantidos nos cargos em eventuais prorrogações maiores ou diante da discussão da unificação do calendário, algo capaz de minimizar a ação da Justiça Eleitoral no vácuo de cinco anos de mandato e sem reeleição.

Desserviço

Os movimentos pela eleição única, de vereador a presidente da República, em 2022, perdem-se na burocracia e na incapacidade da independência do Congresso, que reluta em levantar a mão contra o guardião da Constituição, o Supremo Tribunal Federal, que, em última instância, julgaria a rebeldia de querer mudar as regras do jogo, como já ocorreu no passado recente, por conveniência. Quem conhece o processo eleitoral não gosta de tratar de custos, sejam eles os irreais, a partir do Fundo criado para tornar o gasto com as campanhas com dinheiro público, mais de R$ 2 bilhões, ou o real, que envolve os verdadeiros custos bancados por candidatos e patrocinadores ou os oficiais, pela  manutenção da Justiça Eleitoral, não menor em cada município onde os TREs determinam às prefeituras a cessão disso e daquilo e a manutenção daquele outro.

Todos contra a “Peppa”

Diagnosticada com coronavírus e internada em um hospital em São Paulo, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), chamada pejorativamente de Peppa Pig, ex-líder do governo Bolsonaro no Congresso e depois rebelada contra o presidente, tem mais do que a doença para se preocupar. Deputados federais entraram com um mandado de segurança para impedir que Joice assuma a secretaria de Comunicação Social da Câmara, entre eles sete  (a catarinense Caroline De Toni e mais Carla Zambelli, Alê Silva, Aline Sleutjes, Bia Kicis, Júnio Amaral e General Girão) que tiveram os sigilos bancários quebrados no inquérito que investiga a organização e financiamento de atos antidemocráticos.

Pois é

O caminho da turma de parlamentares, que não gosta muito do Judiciário, foi o STF, para, preventivamente, evitar que “Peppa” use a máquina para antingi-los, em um cargo que era do catarinense Fábio Schiochett, também do PSL. Quando do anúncio no último dia 5 da nomeação de Joice, que ganhou notoriedade em um blog contra a esquerda, a deputada chegada a uma briga com o filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, também deputado por São Paulo, foi formalmente acusada de produzir fake News e criar perfis falsos para atacar a turma de Caroline de Toni com as mesmas armas.

Polichinelo

A defesa da ex-superintendente de gestão Administrativa da Secretaria da Saúde, Márcia Regina Geremias Pauli, terá que reforçar sua estratégia depois que o coordenador do Fundo Estadual de Saúde, José Florêncio da Rocha, e a servidora Débora Brum, a apontaram como responsável pelo pagamento antecipado de R$ 33 milhões por 200 respiradores junto à Veigamed. Márcia Regina ganhou holofotes e a atenção dos deputados da CPI dos Respiradores quando deu a eles a expressão política que buscavam, ao dizer que Douglas Borba, então secretário da Casa Civil, falava em nome do governador Carlos Moisés na compra dos ventiladores e tudo mais, mas o glamour do gesto parece ter perdido força.

Detalhe

Os advogados da servidora sustentam que Débora usou a senha da ex-chefe, à época do pagamento, algo negado na CPI, e que dependerá agora de perícia encomendada pelo Gaeco nos computadores e celulares usados pela então superintendente de Gestão Administrativa.

O interessante é que tanto o ex-secretário Helton Zeferino quanto Márcia Regina, que se acusam mutuamente de pagar antecipado por um produto sem garantia de entrega, citaram várias vezes José Florêncio e Débora, ainda no exercício das funções, como as pessoas que deveriam desempatar a questão: uma das apostas saiu pela culatra.

A RELAÇÃO COM A ASSEMBLEIA

Convencido de que sua proposta de relacionamento com o Legislativo deve ser mantida, ou seja, sem o toma lá dá cá e com a ajuda de pleitos dos deputados estaduais, o governador Carlos Moisés não vê como prosperarem contra ele pelo menos dois assuntos: os cinco pedidos de impeachment e algum revés na CPI dos Respiradores. Em entrevista exclusiva à TVBV, afiliada da Band, de Florianópolis, Moisés citou até o presidente Julio Garcia (PSD), que não vê como irem adiante os pedidos, pelo conteúdo raso e pela falta de fundamentação jurídica, que o enquadre em crime de responsabilidade. Enquanto isso, o assunto que agita os bastidores de governo  e Assembleia é a liberação de emendas impositivas, isso sim uma coisa que alegra inclusive os deputados mais extremistas contra Moisés, sem esquecer do pessoal “Mick Jagger”, que jogou sempre na posição errada ao criticar o isolamento social.

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