Guru do Hang

Olavo de Carvalho, que mora nos Estados Unidos mas tem como maior hobby criticar a vida no Brasil, fato que o transformou em líder intelectual do Bolsonarismo, soltou o verbo por conta de multas da Receita Federal, bradou contra o presidente da República, a quem ameaçou de derrubar, e até contra seguidores como o empresário catarinense Luciano Hang. Sabe o que ele ganhou depois de uma série de xingamentos e palavrões, que não pouparam seus seguidores mais fiéis: o apoio irrestrito deles para arrecadar, via vaquinha virtual, um dinheiro para ajudar o “guru”, o que leva a crer que este pessoal gosta mesmo é de levar carraspanas.

 

O DESEJO DE BORBA
Antes do juiz da Vara Criminal da Região Metropolitana de Florianópolis, Elleston Lissandro Canali, autorizar a participação de Douglas Borba na acareação da CPI, os advogados do ex-secretário já haviam protocolado esta correspondência ao presidente da comissão. Borba, pelos seus representantes legais, manifestava o interesse em colaborar, estar presente nesta terça. Sabe que, agora, virou muito mais do que investigado, terá a chance de se defender publicamente, ao vivo pela TV, e desmascarar quem ele quiser, com ou sem metralhadora giratória. Nada mais perigoso de quem está apeado do poder.

A confirmada acareação entre os ex-secretários Helton Zeferino (Saúde) e Douglas Borba (Casa Civil) e a servidora Márcia Regina Geremias Pauli (ex-superintendente de Gestão Administrativa da secretaria da Saúde), não só a presença de um investigado estratégico para a CPI faz aumentar a expectativa em torno de fatos novos.

Determinar quem foi o responsável pelo tráfico de influência que levou à contratação da Veigamed e quem, de fato, autorizou o pagamento antecipado de R$ 33 milhões por 200 respiradores, que sequer foram entregues na totalidade, está em avançado processo de análise pela força-tarefa composta pelo ministério Público, polícia Civil e Tribunal de Contas do Estado, o que deixou o inquérito parlamentar na poeira.

Ou a acareação traz luz e provoca, quem sabe, uma abertura para uma delação premiada, legalmente conhecida por colaboração premiada, principalmente por parte de Douglas Borba ou a ânsia de apresentar uma “bomba” a cada reunião, fulminada pelos fatos e provas, desestabiliza a CPI.

Destino traçado

Douglas Borba, que nega sempre a participação no pagamento antecipado dos R$ 33 milhões à Veigamed, já tinha o pedido de prisão preventiva solicitado na primeira parte da Operação Oxigênio, fato negado pela prerrogativa de foro que ele possuía, à época à frente da secretaria da Casa Civil, e por erros no pedido encaminhado. Há muito ele era o alvo, pois tanto Helton Zeferino (ex-secretário da Saúde) quanto Márcia Regina Geremias Pauli (ex-superintendente de Gestão Administrativa da secretaria da Saúde) relataram, as pressões que ele fazia. Márcia Regina acrescentava que Leandro Barros agia como preposto de Borba e transitava livremente pelo governo, sem ter cargo público. Agora, o ex-todo-poderoso da Casa Civil teve a prisão fundamentada na destruição de provas.

Ânimos

Desde o início dos trabalhos o foco foi encontrar elementos para incriminar o governador Carlos Moisés da Silva, nada mais, porém nem nisso a CPI foi protagonista. Se o objetivo de uma comissão parlamentar de inquérito é reunir elementos para prover de informações futuras denúncias do ministério Público ou investigações da polícia Judiciária ou levar a um impeachment, os deputados se deparam hoje com a realidade: os dois movimentos já existem antes de conclusões políticas.

O tempo

Em duas semanas termina o prazo para o inquérito criminal, tocado pela polícia Civil e também encampado pelo Gaeco, terminar, tampouco as sindicâncias internas do Executivo esperarão pela arrastada narrativa dos nove deputados da comissão. E se contarmos que existe uma ação civil pública que pede o fim do contrato com a Veigamed, seus sócios estão presos, e quem supostamente materializou a ação nefasta dentro do governo também, a CPI não terá ouvido sequer duas importantes testemunhas quando o judiciário receber a robusta peça. Menos brilho e holofotes sem dúvidas.

Sob ataque

O relator da CPI, deputado Ivan Naatz (PL), passou o fim de semana sob ataque, mesmo com a trapalhada do governador de ser flagrado sem máscara em um evento, que o Fazzenda Park Hotel diz ser um jantar temático e com direito à apresentação de um hóspede no palco, que  poderia lhe render boas provocações. Levantaram esqueletos que remontam a campanha de 2018, por infidelidade, quando Naatz ainda estava no PV, pelo apoio a uma candidato do PSB; uma cobrança sobre questões relacionadas ao transporte coletivo em Blumenau; um capítulo quase esquecido do pedido de cassação do mandato feito pelo prefeito de Bombinhas, Paulo Dalago Muller, em função da guerra contra a ex-prefeita da cidade e hoje deputada Paulinha da Silva (PDT); problemas dentro do gabinete e do passado como vereador de Blumenau.

Direto

Uma reflexão interessante do senador Esperidião Amin (PP) sobre o momento que vivemos, entre o descontrole que levou a perdas de milhares de vida  para o coronavírus e as denúncias que correm o país, sem poupar Santa Catarina. “A grande causa estimuladora de mortes e de corrupção foi a não aquisição centralizada pelo governo federal, ainda que anunciada, de respiradores, equipamentos de proteção individual, testes e leitos. O país se perdeu em dúvidas e confrontos decorrentes da incompreensão de que somos uma federação em um continente de desigualdades”, declarou Amin.

 

Compartilhe:

Deixe uma resposta

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com