Home Colunistas Coluna Roberto Azevedo A briga que não interessa a ninguém

A briga que não interessa a ninguém

O presidente Jair Bolso­naro pede uma auditoria nas contas do PSL, enquan­to seus advogados estudam uma maneira para que, em uma eventual debandada da sigla, os deputados federais e estaduais, eleitos na onda que varreu o país, em 2018, não percam seus mandatos, o que precisaria de um mo­tivo, uma justa causa diante dos tribunais regionais elei­torais e do TSE.

O presidente da sigla, o deputado federal Luciano Bi­var, de Pernambuco, envolvi­do em denúncias de utiliza­ção de candidatas “laranjas” para compor 30% das cha­pas ao Legislativo, parte para a retaliação com a retirada de cargos dos aliados de Bolso­naro, uma profusão de en­frentamentos que não soma nada a governabilidade do país e só acirra o desejo do presidente da República em assumir o controle do parti­do.

O quadro não é diferen­te em Santa Catarina, onde os deputados estaduais pes­selistas, descontentes com o governador Carlos Moisés da Silva, apegam-se na defe­sa de Bolsonaro e na ameaça de troca de partido para re­forçar a indignação que mais parece reflexo de um rancor do que de um fato político.

Em resumo, por ora, nin­guém ganhou nada, tampou­co passou a confiança de nada mais do que participar de um processo de jogar para a torcida que aplaude e faz barulho.

A realidade

O PSL de Bolsonaro sequer se consolidou como partido forte, pois emergiu de uma sigla de menor porte que se viu catapultada à condição de grande agremiação em função dos milhões de votos espa­lhados no país, e já vive uma crise proporcional ao suces­so nas urnas, que se espalha. Composto em sua maioria por ativistas digitais, que parecem viver nas redes sociais e fora do mundo real, sem um cor­po único, somente envolto em um forte discurso, o parti­do precisa se reforçar, ganhar musculatura e estrutura para estar apto para 2020, por en­quanto cenário longe de ser efetivado.

Em Santa Catarina

O presidente Fabio Schio­chet, deputado federal que já assumiu o comando do PSL catarinense depois de uma outra crise, envolvendo a ban­cada federal, que levou à saí­da do comando da legenda do secretário Lucas Esmeraldi­no (Desenvolvimento Econô­mico Sustentável) – que con­correu a senador e, de fato, formou a nova estrutura vi­toriosa no ano passado -, ain­da busca formar os diretórios municipais em meio às dis­putas de espaço que não se encerraram. Nem comissão provisória o PSL possui na maioria das cidades, simples­mente um passo importan­te para quem projeta ter 110 candidatos a prefeitos, 30 de­les nos mais populosos muni­cípios catarinenses, fator de­terminante para assegurar, em 2022, uma candidatura de Moisés à reeleição.

O desafio

Como formar um partido forte, orgânico e com capila­ridade em terras catarinenses, se o prato principal hoje, em torno de grande parte da ban­cada de seis deputados esta­duais e quatro federais – mui­tos deles pré-candidatos a prefeito -, além do governa­dor e da vice Daniela Reinehr, é divergir e fomentar a “pan­cadaria” entre seguidores nas redes sociais? Schiochet, que tem base em Jaraguá do Sul e calou-se ao evitar o atendi­mento à imprensa por telefo­ne nos últimos dias, enfrenta o desafio de filiar novos qua­dros, de buscar gente com mandato que tenha um per­fil de direita e, daqui a pou­co, ter que dizer a todos es­ses que precisam trocar sigla e de número. Isso porque o em­blemático 17, que elegeu Bol­sonaro, mais o Fundo Partidá­rio projetado em mais de R$ 100 milhões este ano, o Fundo Eleitoral e o tempo de rádio e TV ficam todos com Bivar e sua turma em caso de deban­dada, já que são baseados no desempenho eleitoral da ban­cada original eleita à Câmara dos Deputados pelo PSL.

Rito sumário

O que está evidente é a perda de foco e da fidelidade que se espera de quem pas­sou a votar com o governo, aparentemente em dispersão. Moisés já chegou a 28 depu­tados da base de apoio na As­sembleia, com o ponto de par­tida nas seis cadeiras do PSL, e agora se desidrata, pois a re­percussão do ambiente ácido no seu partido causa descon­fortos nas bancadas de MDB, PL, PDT, PSC e PSB, mais eventuais integrantes do PSD e do PP, que se declaram in­dependentes e que só votam nos assuntos de interesse da sociedade.

Os “rebeldes”

A democracia nos permi­te contestar, fato muito bem alicerçado na disposição dos parlamentares na Assembleia, porém ceder às evidências e aprender a conviver com o contraditório significa evoluir no âmbito das relações hu­manas. O PSL encarna, neste momento, vários nichos, cé­lulas independentes em cada eleito (Ana Caroline Campag­nolo, Jessé Lopes, Felipe Este­vão e Sargento Lima, sem que as posições de Ricardo Alba e Onir Mocellin estejam claras), fato que não passa ao eleitor a imagem de um grupo, de um partido e se constitui no pior dos indicativos para quem se diz integrante do conceito da nova política.

Risco

Apostar na derrocada de Moisés na administração esta­dual, em nome de um apoio a Bolsonaro, que todos pres­supõem que já existe e é con­sistente, não tende, no futuro, a ser uma boa estratégia de pressão. Moisés tem a cane­ta na mão, uma vantagem so­bre qualquer parlamentar, e, se praticar o gesto, chamar os deputados da base para con­versar, principalmente os de seu partido, e não obtiver a devida resposta, deve se be­neficiar da repercussão pulve­rizada mesmo que a bancada pesselista passe a ideia de es­tar unida.

Rindo à toa

Todo este quadro de incer­tezas e convulsão só tem be­neficiado quem está longe da briga.

Dá combustível e argu­mentos aos adversários, que assistem a tudo com um lar­go e indisfarçável sorriso nos lábios, com aquele jeito de quem antecipava que as vai­dades dos “independentes” reunidos por uma causa, Bol­sonaro, sob um mesmo teto partidário, daria nisso.

Integração é o caminho

No evento Momento Bra­sil, promovido pela Acaert, o secretário nacional de Segu­rança Pública, general Gui­lherme Theophilo, reforçou os conceitos de integração dos órgãos de segurança pú­blica, as polícias judiciárias (federal e Civil), a Rodoviária Federal, as polícias militares e até as guardas municipais, além das Forças Armadas, em ações e troca de informação sobre inteligência. As prio­ridades envolvem o comba­te aos crimes de corrupção, violentos e o crime organiza­do, e Theophilo, que esteve em Florianópolis, nesta sexta (11), no Centro Administrati­vo da Segurança Pública, no Bairro Capoeiras, reafirmou as posições repassadas pelo ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) como o projeto-piloto em cinco cida­des, em cada região do país, que envolvem 10 ministérios, no enfrentamento da “guerra” contra os tráficos de armas e drogas.

 SEM CORES PARTIDÁRIAS

 

O relacionamento na bancada fede­ral catarinense está centrado na de­fesa das prioridades do cidadão e do Estado e foge àquela máxima de que deputados federais e senadores devem manter-se nas trincheiras ideológicas e partidárias. Uma atuação que pode ser traduzida neste registro, durante a ses­são solene que homenageou a Associa­ção Catarinense de Emissoras de Rádio e TV (Acaert), no plenário da Câmara. O clima era de total descontração entre os senadores Esperidião Amin (PP) e Jorginho Mello (PL) e os deputados fe­derais Rodrigo Coelho (PSB) e Carmen Zanotto (Cidadania). O fato de serem adversários ou aliados ficou de fora da conversa divertida.

Compartilhe:

Deixe uma resposta

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com