Home Colunistas Coluna Roberto Azevedo Adiamento é razoável, mas não o ideal

Adiamento é razoável, mas não o ideal

A Confederação Nacional dos Municípios, respaldada pela Fecam, presidida pelo prefeito Saulo Sperotto (PSDB), de Caçador, quer não só o adiamento das eleições deste ano como a unificação do calendário eleitoral, em 2022, com o fim da reeleição, assunto controverso e que não deve ser jogado para debaixo do tapete.

Naturalmente, a leitura mais básica sobre esta posição, é a de que se tratam de atuais prefeitos interessados em esticar seus próprios mandatos e que, em alguns casos, haveria penalização de comunidades por suportarem, mais dois anos, um mau governante ou um de desempenho abaixo do considerado necessário.

Desde que o presidente da Câmara, deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), praticamente impôs que não seria possível qualquer prorrogação da  permanência no cargo, mesmo antes do debate, criaram-se anticorpos contra qualquer contraposição sem considerar a grave situação que a pandemia do Coronavírus trouxe às prefeituras, que já se encontravam em situação de penúria ou “pré-falimentar”, caso isso fosse possível no setor público.

Inviável

A lista de pontos inviáveis à realização do pleito este ano vai da questão de saúde pública, visto que na Ásia e na Europa a Covid-19 não dá trégua, sete meses depois de verificados os primeiros casos, e, no Brasil, estamos apenas no terceiro mês de combate com números crescentes, ao inconveniente de dar pessoas diferentes para quem irá concorrer sem o peso da reeleição, por exemplo.

Prefeitos irão disputar ou apoiar candidaturas com uma bomba nas mãos, a partir dos efeitos nefastos na situação financeira e nos serviços públicos, além do mar de crises políticas que foram criadas a partir do Coronavírus como pano de fundo.

Axioma

Defender o adiamento das eleições, de repente uma obviedade que era negada há alguns meses, será natural para dezembro, provavelmente no dia 6, fato que não retira um jeito de ver a situação como quase insana.

Porém isso, com toda a certeza, também dificultará a entrada de novos governantes, dias depois, considerado o segundo turno, onde for possível, no dia 27 do último mês do ano, o que diminui a capacidade de coordenar e até de formar a equipe, já que não se quer prorrogação de mandato. Portanto, a posse não fugirá de 24 dias depois da eleição de uns e de apenas quatro para outros.

Direto na fonte

A Fecam irá participar em peso de uma reunião virtual com o Fórum Parlamentar Catarinense nesta sexta (29).

Justamente para pedir a compreensão dos deputados e senadores sobre a necessidade de se pensar em próxima eleição de uma m

Soa bem

A aproximação com o empresariado, antes da necessária com os políticos, abriu sorrisos e portas para Moisés em Joinville, principalmente a oportunidade do setor produtivo palpitar até mesmo na indicação do novo secretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável.

O novo estilo, inaugurado na véspera com a criação do Conselho de Governança, foi aplaudido pelo presidente da poderosa Associação Empresarial de Joinville, João Martinelli, que recebeu a comitiva na sede da entidade, referência no Estado, onde estavam o megaempresário Antídio Lunelli (MDB), prefeito de Jaraguá do Sul; e o de São Francisco do Sul, Renato Gama Lobo (PSD); e dos presidentes das respectivas associações empresariais, Luis Hufenüssler Leigue, e de São Francisco do Sul, Bruno Cezar Gama Lobo.

Time

A presença de Amândio João da Silva Júnior, chefe da Casa Civil, um empresário, ajuda Moisés nesta nova empreitada, tarefa reforçada pelos secretários Derian Campos (Assuntos Internacionais) e Gonzalo Pereira (Comunicação).

Dois deputados estaduais da região, Fernando Krelling (MDB), pré-candidato à sucessão de Udo, e Vicente Caropreso (PSDB) acompanharam a agenda.

Pressão total

O que era esperado foi materializado e sob alegação de que o caráter difamatório das declarações infelizes do deputado Jessé Lopes (PSL), em redes sociais, contra uma servidora da Casa Civil, o governador e o ex-secretário Douglas Borba, a deputada Paulinha da Silva (PDT), líder do governo, protocolou no Conselho de Ética da Assembleia representação por quebra de decoro parlamentar.

Além de Paulinha, subscrevem a representação os deputados Vicente Caropreso, Marlene Fengler (PSD) e Rodrigo Minotto (PDT) e há espaço para mais adesões. Jessé pode ser cassado pela fake News, sem contar o que terá que responder no Judiciário.

Nova tese

A de que os vazamentos dos depoimentos de Helton Zeferino, Douglas Borba e de Márcia Regina Geremias Pauli, feitos ao Ministério Público, é para manter acesa a pressão sem os trabalhos da CPI dos Respiradores esta semana.

Difícil é acreditar que isso seja uma repercussão plausível.

DEPOIS DE SAIR DA “TOCA”
Com a Medida Provisória que recupera as perdas salariais dos servidores da saúde, que perderiam a produtividade porque muitos procedimentos foram cancelados com o combate ao Coronavírus, e a ferramenta tecnológica quer permite municipalizar decisões sobre flexibilização de serviços e atividades por parte de cada prefeito, o governador Carlos Moisés da Silva literalmente chegou a Joinville depois de “sair da toca”. Esta é uma das reclamações sobre a atuação de Moisés nos últimos meses, que começa a ser desconstruída, primeiro na recepção do prefeito Udo Döhler (MDB), comandante da maior população catarinense em uma cidade, um empresário de sucesso que está no seu segundo mandato e teria, na prática, muito a acrescentar a carreira de iniciante da política do governador. Só que Udo não nega os políticos, aprendeu a conviver com as agruras da função nem sempre dividida entre buscar apoio ou praticar gestos. Antes de seguir à “Manchester Catarinense”, como era conhecida nas décadas de 1960 e 1970 pela sua industrialização de qualidade, Moisés também conversou com o prefeito Mário Hildebrandt (Podemos), de Blumenau. A próxima parada será em Jaborá, Ouro e Chapecó, com máscara e muito álcool em gel, na cidade que lidera a incidência de casos da Covid-19.

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