Home Colunistas Coluna Roberto Azevedo A sapiência de Mourão está a serviço do país

A sapiência de Mourão está a serviço do país

A abertura da palestra do vice-presidente da República Hamilton Mourão (PRTB), no início das comemorações dos 70 anos da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), torna-se um emblema da figura carismática e realista que ele representa em um país divido, como ele mesmo diz, entre “branco e preto” – sem conotação de etnias -, adversários permanentes em um cenário que “não existe o cinza”, ou seja, o meio termo.
O recado mais forte também veio aos ativistas digitais quando o vice-presidente declarou que vivemos em “um turbilhão” nas redes sociais, “de quem não sabe o que está escrevendo” e justificou que os mares não estão tranquilos mundo afora.
Tanto que Mourão referiu-se ao Brasil como a mais próspera democracia liberal do hemisfério sul e sentenciou que “ninguém está criticando a democracia, não há ameaças à democracia”, uma clara alusão ao recente episódio onde o presidente Jair Bolsonaro teria compartilhado um vídeo para apoiar o protesto contra o Congresso Nacional, no próximo dia 15. Bolsonaro nega!

Pelas reformas
Defensor das reformas da Previdência, Administrativa e Tributária, Mourão acredita que somente com a participação das iniciativa privadas, em concessões públicas, o país aproveitará as mudanças do Estado. E lembra que bons contratos darão legitimidade à privatização de serviços públicos, as que tornarão o Brasil uma nação mais competitiva no âmbito das maiores economias globais, em um mundo em processo de desglobalização, como ocorreu com Brexit na Inglaterra em relação à União Europeia.

Crítica
General do Exército Brasileiro, Mourão citou com preocupação o episódio envolvendo policiais militares no Ceará, elogiou a PM catarinense, e fez um alerta sobre a politização e sindicalização do setor, tanto com a criação de associações de praças quanto de oficiais. “Quando a política entra pela porta da frente do quartel, a disciplina sai pela porta dos fundos”, sentenciou o vice-presidente.

Da caserna
Presidente da ACORS, que reúne os oficiais da PM e do BM, o coronel Sérgio Luiz Sell, contou, em quatro horas de reunião na última quinta (27), com os apoios de representantes regionais da entidade e dos presidentes da FENEME, coronel Marlon Jorge Teza, e da ABVO, coronel Claudete Lehmkuhl, para chegar à conclusão de que, da forma como está, a proposta do governo não atende os militares estaduais. Como a coluna adiantou, a ACORS está preparando uma contraproposta a ser entregue ao secretário Estadual da Administração, Jorge Eduardo Tasca, que é oficial da PM, na próxima segunda (2).

Citados
Os senadores Jorginho Mello (PL) e Esperidião Amin (PP) foram citados em meio à palestra de Mourão. Sobre a questão das emendas parlamentares, perguntou a Jorginho, que estava na plateia, “tô indo bem?”, sobre a explicação que deu na construção de concessões de emendas. Já para Esperidião, também presente, pediu a concordância da expressão de que “em política, até briga é combinada!”

Demandas
O anfitrião da visita a Santa Catarina, o presidente Mario Cezar de Aguiar, lembrou a condição ímpar de um Estado empreendedor e com os melhores indicadores nacionais, embora represente 1,1% do território nacional, e pediu a atenção do vice-presidente para as questões de logística e de infraestrutura que envolvem as rodovias federais que cortam Santa Catarina. Esta foi a segunda vez que Mourão veio à Fiesc, a anterior foi durante um evento promovido pela Acaert.

Desgaste
Esperidião Amin declarou à imprensa que a tensão pode existir entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional, ainda sobre o episódio do protesto chamado por apoiadores de Bolsonaro, porém considera que ampliado, o que dificultará o relacionamento entre os poderes. “O jogo político não pode ser de um culpar o outro. Harmonia entre os poderes não significa a derrota de um e a vitória do outro”. O senador catarinense admitiu que ele mesmo tem cobranças sobre a atuação dos pares na Câmara e no Senado, e lembrou que os deputados federais retêm a PEC do Foro Privilegiado, por exemplo, ato contra o país.

Representantes
Na Fiesc, a vice-governadora Daniela Reinehr (Aliança Pelo Brasil) representou o governador Carlos Moisés da Silva, que estava em Foz do Iguaçu, no Paraná, onde participa, neste sábado (29), do encontro dos chefes do Executivo do Cosud, que reúne os estados do sul e do sudeste. O vice-prefeito João Batista Nunes (PSDB) foi ao evento no lugar do prefeito Gean Loureiro (DEM), de Florianópolis.

Missão
O deputado Marcos Vieira, que representava o presidente da Assembleia Julio Garcia (PSD), tinha uma missão a mais, solicitada pelo presidente da Fiesc: entregar um relatório sobre a Rota do Milho, principal insumo da agroindústria de Santa Catarina. Vieira explicou que as principais demandas para a chegada do produto mais barato no Estado são em relação à questão aduaneira: a privatização da Aduana de Dionísio Cerqueira, além da manutenção do scanner de cargas, e a implantação definitiva da Aduana de Paraíso, com a implementação da recuperação urgente das BRs 163 e 282.

SOBRE O FUTURO
Uma das figuras mais procuradas pelos jornalistas, o senador Esperidião Amin desconversa quando perguntado sobre o futuro da mulher, a deputada Angela Amin (PP), nome mais do que lembrado para concorrer à prefeitura da Capital, em outubro. “Sou um homem perigoso lá em casa, ninguém me fala nada”, disparou Amin para a coluna. A declaração foi seguida de um largo sorriso.

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