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Largo da vitória e prédio dos correios

No centro de Itajaí, no coração da cidade, encontram-se hoje um logradouro e um prédio, patrimônios públicos, patrimônio cultural, em lamentável estado de degradação física e urbanística.
Trata-se da antiga sede dos Correios e Telégrafo, raro exemplar arquitetônico art décot por aqui ainda existente, e seu entorno, que já se constituiu antes na terceira praça da cidade; tendo sido a primeira o Largo da Matriz, hoje, Praça Vidal Ramos, e a segunda, o Largo do Cemitério, a Praça Governador Irineu Bornhausen, defronte à Matriz do Santíssimo Sacramento.
Essa terceira praça, inaugurada com a abertura da rua da Vitória, atual rua Felipe Schmidt, também foi denominada na época, anos de 1870, Largo da Vitória, em comemoração à vitória do Brasil na Guerra do Paraguai, 1865/1870.
O Largo da Vitória se constituía de duas áreas, visto que era cortado pela então rua 15 de Junho, que vinha a ser a agora rua Gil Stein Ferreira. Foi quando, então, se abriu a ligação entre o Largo e a rua da Matriz, hoje rua Hercílio Luz, que recebeu o nome de Travessa 24 de Maio, como homenagem à vitória do Brasil na Batalha de Tuiuti, evento histórico também da Guerra do Paraguai. A travessa atualmente tem o nome de Dagoberto Alves Nogueira, homenageando um dos fundadores da radiofonia itajaiense.
O Largo da Vitória ficou famoso durante a Revolução Federalista de 1893, porque ali acamparam os soldados maragatos de Gumercindo Saraiva, quando ocuparam a cidade de Itajaí e aqui combateram os florianistas nos dias 8, 9 e 10 de dezembro daquele ano. No local, os soldados gaúchos churrasqueavam o gado subtraído dos pastos vizinhos, ficando com a melhor carne e distribuindo as demais para os pobres; o que lhes valeu o qualificativo de “boa gente”!
Em 1916, o Largo da Vitória foi renomeado de Largo do Estrela, por causa da Sociedade Estrela do Oriente, que lhe era vizinha. Aí ficavam, ainda, a Farmácia Estrela e a Panificadora Estrela, depois, Panificadora Patiño.
O Largo da Vitória começou a ser perdido a partir de 1936, quando a área sul foi ocupada pela construção do prédio do Ginásio Itajaí, que foi sucedido pelo Colégio Salesiano Itajaí. Teve fim na década de 1940, quando o município doou ao governo federal a área norte para nela ser construída a sede em que funcionaram os Correios e Telégrafo da cidade.
Como o objeto da segunda doação agora não mais existe, por abandono, discutem muito bem os juristas a reversão dessa área ao município.
Uma medida justa, urgente e necessária, em favor da memória histórica, do patrimônio cultural e da estética urbana de Itajaí.

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