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Ensino superior não tinha crédito

A implantação do ensino superior em Itajaí, com o pleno funcionamento das Faculdades de Filosofia, Ciências e Letras e Ciências Jurídicas e Sociais do Vale do Itajaí, no ano de 1965, foi um gesto de grandeza e, digamos, de impetuosidade do Dr. José Medeiros Vieira. Bem ao jeito dele, que era homem de ação e dado a tomar decisões no calor dos acontecimentos, com arrebatamento e destemor.
Cansado de ouvir os insistentes apelos de estudantes, para que as autoridades e líderes políticos tomassem a iniciativa de criar em Itajaí faculdades, o Dr. Medeiros decidiu-se por ir à luta juntamente com um grupo de professores do então Ginásio Industrial Presidente Nereu Ramos, do qual era diretor. Juntou lideranças políticas, empresariais, sociais, religiosas, educacionais da cidade e fundou a Sociedade Itajaiense de Ensino Superior, que pôs em funcionamento as Faculdades de Filosofia (cursos de Letras, Pedagogia, História e Geografia) e Direito.
Para essa iniciativa, haveria de ser o Professor Medeiros quem se aventurasse a estar à frente, porque o descrédito da iniciativa era grande e poucos tinham acreditavam no sucesso da empreitada. Verdade que, desde logo, o diretor-presidente do Banco Inco, Genésio Miranda Lins, fez-se entusiasta e apoiador. Também o secretário da diretoria do banco, o jornalista e escritor Silveira Júnior estava entre aqueles poucos que, na cidade, punham fé no ensino superior nascente.
A cidade não sabia o que eram calouros de faculdades e seus trotes, cabelos raspados e desfiles festivos. Por isso, assistiu com simpatia, mas com certa estranheza ao primeiro desfile de dezenas de calouros das duas primeiras faculdades, num sábado de manhã. Quando todos saíram eufóricos, do pátio em frente ao antigo Instituto do Pinho, na rua Uruguai, hoje prédio da Reitoria da Univali, em direção à rua Hercílio Luz, com seus bonés azuis, de Filosofia e vermelhos, de Direito.
As instalações das faculdades, na velha casa das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, sem ser uma vistosa sede própria, como se costumava ver nas instalações universitárias das capitais. A composição do corpo docente dos cursos de Filosofia e Direito, num arranjo caseiro, sem nomes luminares do magistério superior, mas com professores recrutados entre profissionais do ensino de Itajaí, de funcionários públicos federais, clérigos, advogados, membros da magistratura e ministério publico. Tudo isso, não pareceu dar crédito para o bom sucesso do empreendimento que professores e alunos das Faculdades de Itajaí deram início naquele ano de 1965. Ouviam-se, aqui e ali, comentários sarcásticos, desacreditando do bom termo dos cursos: “Direito torto…” “Filosofria…”
Estas reflexões vieram a propósito do fato de que, neste ano de 2018, completam-se 50 anos, da conclusão de curso dos primeiros formandos do ensino superior de Itajaí, os alunos da primeira turma da Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras do Vale do Itajaí. Aqueles que, à semelhança de Abraão, acreditaram contra toda a descrença!

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