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Somos patrimônio cultural e imaterial da humanidade

Somos patrimônio cultural e imaterial da humanidade
Não é possível falar em cultura brasileira sem falar da contribuição das etnias africanas para a construção desse país. Na verdade, a cultura brasileira é uma cultura afro-brasileira.
O IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – define Patrimônio Imaterial como “práticas e domínios da vida social que se manifestam em saberes, ofícios e modos de fazer; celebrações, expressões cênicas, plásticas, musicais ou lúdicas… constantemente recriados pelas comunidades e grupos em função de seu ambiente, de sua interação com a natureza e de sua história…” Ou seja, o patrimônio imaterial gera nas pessoas que o compartilham, um sentimento de identidade e continuidade de sua cultura.
Desde 26 de novembro de 2014 a Roda de Capoeira foi reconhecida pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Isso demonstra a importância do trabalho dos mestres capoeiristas na difusão desse bem cultural genuinamente brasileiro.
A capoeira é uma arte que carrega consigo múltiplas artes. Existem tradições afro-brasileiras, que estão vinculadas à capoeira, como parte do modo de vida do capoeirista. São chamadas Folguedos, por exemplo: o Maculelê, o Jongo, o Maracatu e o Samba de Roda.
A capoeira se perpetua pelo trabalho incansável de grandes mestres, como: Mestre Pastinha, Vicente Ferreira Pastinha (1889 – 1981), considerado o patrono da Capoeira Angola. Este estilo preserva os elementos da capoeira originalmente criada pelos negros escravos.
Mestre Bimba, Manoel dos Reis Machado (1899 – 1974) criou a Luta Regional Baiana, (Capoeira Regional). Buscou dar mais força, velocidade e características de luta à capoeira, introduzindo novos golpes vindos da luta africana batuque.
Em 1953, Mestre Bimba obteve o reconhecimento do Presidente Getúlio Vargas, liberando a capoeira no Brasil como a Rainha do Folclore Brasileiro e esporte nacional. Dessa forma, driblou o código penal, que proibia a prática da capoeira em local aberto.
Mestre Camisa, José Tadeu Carneiro Cardoso, inovou o ensino da capoeira no Brasil com a criação de um método inclusivo de todas as idades, tipos físicos e pessoas com deficiências. A metodologia de educação Abadá Capoeira valoriza o desenvolvimento integral do capoeirista, intelectual, emocional e fisicamente. Os folguedos integram as práticas da Abadá Capoeira como forma de preservação de nossa cultura e de nossa tradição de luta pela liberdade e igualdade.
Toda essa riqueza cultural foi celebrada em Itajaí, nos dias 25 e 26 de outubro de 2019 em um evento de congraçamento de toda capoeiragem. O 1º Encontro Nacional de Abadá Capoeira de Itajaí ofereceu cursos de capoeira, dos folguedos e o Show Cantos e Contos que levou cerca de 400 pessoas da comunidade ao Teatro Municipal de Itajaí, celebrando a união da família e a cultura afro-brasileira.

Co-autoria: Prof. Reinaldo Velasques e Prof. Msc. Ana Clara Marques

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