Home Colunistas Coluna Existir e Resistir A liberdade de expressão está solta, babaca!

A liberdade de expressão está solta, babaca!

Para quem assistiu a jornada e a disputa política de 2018 sabe bem o que é ver um país dividido entre a esquerda e a extrema-direita.
Essa disputa foi além da simples política e partido. Para muitos o Brasil se dividira entre os ‘petistas’ e ‘bolsominion’, mas está claro que não condiz com a realidade. Ao meu ver a guerra foi entre as minorias com senso moral e político contra o fascismo e o extremismo escancarado de Jair Messias Bolsonaro, sempre com seus discursos de ódio a quem se opõe, ameaçando a democracia e a liberdade de expressão.
Durante o Carnaval o Brasil se torna o holofote do mundo. É como se todo o notíciario estivesse no Sambódromo desfilando. Essa é uma festa típica para celebrar o afeto, o desejo do corpo a corpo. Carnaval é tradição, é a manifestação de arte, cultura e liberdade de expressão. Por isso não poderiam faltar críticas políticas em relação ao atual presidente, queixas pelas fake News e a repulsa ao genocídio negro e indígena.
Diante de tantas lutas e conquistas, hoje podemos celebrar e agradecer a democracia do estado de direito que, por sua vez, nos deu o poder e colocou escolas de samba na avenida, carregadas de críticas em forma de denúncia ao racismo, homofóbia, feminicídio, genocídio indígena e a intolerância religiosa que assola a era Bolsonaro.
Entre elogios e críticas à escola de samba estão Mangueira, que fez réplicas de Jesus na avenida. A divindade do Cristianismo veio representada por uma mulher preta, representando altos índices de feminicídio. Jesua foi também substituído por um menino periférico numa cruz, denunciando a política falha de segurança e o genocídio negro em massa.
Tivemos índios como Jeová, representantando a perseguição e o massacre indígena. Mostraram de um jeito crítico que a religião é exatamente o oposto ao ódio e ao extremismo defendido por alguns cristãos. A escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel em um de seus carros alegóricos nos trouxe uma mensagem escrita “Exu te ama”, usando a arte como protesto e denunciando a intolerância religiosa, fazendo entender que a religião, é sem dúvida, um ato político em seu sentido histórico.
É isto, a arte, mais uma vez, resistiu aos filhos bastardos de um país que ama e defende a diversidade. Usar a liberdade de expressão como forma de protesto é um ato político. A todo inimigo da liberdade de expressão e aos defensores da intolerância religiosa o meu desprezo. Esse é o nosso lugar, o de fala, e jamais será abdicado.
Laiela Santos é escritora e militante do Movimento Feminista Negro.

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