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A estrutura desestruturada brasileira

Ao falarmos de racismo estamos falando da diferenciação e hierarquização de indivíduos, tendo como motivo sua aparência; tal situação acarreta em uma sociedade abalada por disparidades sociais, com a consolidação da hierarquia como base fundamental de ações que não vão de encontro às dinâmicas igualitárias que é o fio condutor da constituição do nosso país.
A sociedade brasileira ao gerar racismo, também produz desigualdades relacionadas diretamente às diversidades que dissemina a aceitação de vil forma de desestruturação social privando a população negra de privilegiadas posições no coletivo, onde é reafirmada o ponto subalterno dos negros, proporcionando reprodução estrutural historicamente constatada através de mecanismo único de convivência entre os desiguais com total paralisia das práticas públicas, assim, legitimando a hierarquização social. Desta forma, políticas antirracismo são de suma importância para transpassar as barreiras da pobreza no Brasil.
Uma das faces mais perversas da marginalização imposta aos negros brasileiros é o racismo institucional, modalidade de racismo que oprime os pretos e pardos no processo de criação das instituições destinadas à prestação de serviços, até indução de atos falhos por estas instituições tanto públicas como privadas, dificultado as formas de acesso aos serviços geridos na sociedade. O entrelaçar estrutural das relações sociais que banalizam algo tão cruel, continua presente na atualidade; as adversidades ainda se perpetuam com facilidade em nossa sociedade, que com reflexos da famigerada democracia racial, ainda utiliza meritocracia como um adorno plausível para a manutenção das dessemelhanças étnico/racial existente em nossa nação!
Mesmo com um século nos separando do período mais triste da nossa pouca existência como nação; o racismo estrutural assim como a necropolítica vem realizando com eficácia e eficiência tudo o que lhe foi assoberbado, demarcando territórios sociais e atuando em um perigoso limite entre a vida e a morte, onde a grande maioria padece com governanças ineficazes preferencialmente por causa da má vontade política.
O estatuto da Igualdade Racial e o Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial, são ótimas políticas públicas que abordam este assunto a uma década desmistificando as questões raciais em nossa pátria; tirando as práticas desenvolvidas em nível das grandes cidades brasileiras, pouco podemos observar em detrimento de amplas melhorias, tornando ainda mais necessária a conscientização de que racismo não é bom para ninguém!
Paulo Marcos da Silva Pereira

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