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Me encontre na ESQUINA

Lembro que foi na esquina meu primeiro encontro com a escolha. Amava ela até a próxima esquina e ficava o restante do dia esperando meu primeiro amor voltar pelo mesmo caminho. Pois não é que um belo dia de inverno trouxe a surpreendente mudando de rumo? Ela voltou pelo outro lado da rua. Não a vi.
Logo percebi: a esquina permitia que meu olho acompanhasse o ritmo de vida em diversas ruas e não só na que eu morava. Marquei um território bem no cantinho do muro e, dia após dia, lá estava eu.
E porque o mundo, apesar de redondo, tem muitas, eu escolho que esse espaço semanal se chame ESQUINAS firmando minhas escolhas por diversos modos de olhar para o mundo. É uma dobra no meu pensamento que – apesar das escolhas sempre restritas a nós oferecidas – prefiro ouvir as diferentes formas de viver.
Fatalmente você leitor irá cruzar por aí em alguma delas. Beber um café na padaria da esquina, falar com um conhecido que atravessa teu caminho, observar a beleza que cruza teus olhos, ter um encontro incômodo e baixar os olhos praticando o silêncio, irá até o armazém da esquina e comprará ovos apressando o almoço ou será abordado pelo mendigo pedinte. Esquinas permitem que vivamos escolhas.
Escolhas tem consequências e perdas, é claro. A vida é uma soma infinita de escolhas. Disse um pensador: quando me escolho tenho dentro a humanidade. A escolha nos faz humanos (ou não) e assim somos porque sentimos.
Lembram da história de meu primeiro amor que sumia todas as manhãs na esquina? Eu tive que crescer para descobrir que a vida não se faz ligando dois pontos. A vida é um emaranhado de possibilidades que começam a se apresentar quando, enfim, entendemos que encontros só acontecem quando todos querem. O amor primeiro morreu e eu aprendi que as esquinas podem ter um outdoor falando de saudades.
Ao virar a esquina decidimos ver um mundo diferente para começar aquele dia. A escolha por qual rua queremos andar é nossa. Todas às quartas-feiras estarei nas ESQUINAS conversando sobre escolhas possíveis e colocando-as em diálogo com a produção cultural da região. Por que? Fazemos escolhas procurando o segredo do bem viver. Conto um segredinho que levei décadas para descobrir: o segredo da vida está na arte. E foi com Oscar Wilde, um escritor do Século XIX que aprendi isso nas esquinas da vida.
O encontro na ESQUINA terá o colunista, o leitor e a cena cultural da cidade. Lugar perfeito para conversas sobre vida, arte e as possíveis formas de olhar a cidade. Envie comentários e seus modos de expressar-se no mundo. Espero encontrar você.

André Soltau
ANDRÉ SOLTAU Historiador na formação com estudos sobre imagem, memória e cultura contemporânea. Com diversos livros publicados, atualmente editor da ideia de outros em uma editora independente. Membro do Conselho Municipal de Cultura em Itajaí representando a Setorial de literatura.
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