Efeito borboleta

A humanidade está em xeque. Ficamos reféns de informações desconexas, vírus desconhecido, isolamento social, cancelamentos de atividades cotidianas. A possiblidade de contágio tira nossa confiança em atividades que faziam parte de nossa rotina. O medo é presente e impede as nossa relações, ações e contatos sociais.

O isolamento tem revelado bem mais do que medos, vírus ou desmandos da política nacional. Uma das situações que todo o dia tem ocupado meus pensamentos é que a ação de cada pessoa pode afetar muitas pessoas. Só um breve exemplo: sair sem máscaras ou com ela segurando o queixo é um desrespeito ao outro.

Posto, então, o paradoxo. Meu comportamento afeta a minha comunidade e preserva a minha vida. Essa questão tem força para mudarmos tudo se ouvirmos com atenção a vida no planeta. A vida privada e a vida pública são interligadas e as nossas organizações só sobreviverão se pautarem suas ações em projetos coletivos que respeitam a vida no planeta.

Ahhh mas é utopia.  São exatamente os sonhos utópicos de outrora que oferecem respostas nos dias de pandemia. Temáticas como consumo x lixo; dependência tecnológica x vida; alimentos orgânicos x agronegócio e vamos pensando em assuntos que criam a doença, oferecem o remédio e colocam os indivíduos em um emaranhado que parece não ter saída.

Desses temas, faço um recorte: retiramos de nossas vidas algo que deveria ser sagrado: o alimento saudável. Substituímos o conceito de agriCULTURA pelo conceito de agroNEGÓCIO oferecendo veneno à mesa em desrespeito à cultura alimentar de comunidades primitivas. Não temos recursos infinitos ou capacidade ilimitada no meio ambiente e mesmo assim insistimos em “alimentos” que promovem a doença. Logo depois, essa mesma lei de mercado, nos oferecem o remédio em redes de farmácia com preços altíssimos. A vida é negócio.

Quem acompanha essa coluna já sabe que sou adepto da simplicidade na vida, de alimentos orgânicos e a redução considerável de lixo em nossas casas. Não compramos alimentos com excesso de plástico e não sustentamos a produção do agronegócio. Participamos de um movimento chamado Comunidade que Sustenta a Agricultura (CSA) que conecta o produtor com o consumidor em um modelo de produção e distribuição de alimentos orgânicos que fortalece o conceito de comunidade. Utopias de ontem alimentam a vida no presente.

Lembremos que o conforto oferecido pela lei de mercado tem um preço. E pode ser a sua qualidade de vida.

Talvez esse texto não surta efeito algum, mas lembro todo o dia que o efeito borboleta em sua vida pode desenhar a vida de crianças no futuro.

Fica a dica:

O documentário A carne é fraca. Ano 2005, produzido no Brasil, fala sobre os impactos que o ato de comer carne representa para a saúde humana, para os animais e para o meio-ambiente.

 
André Soltau
ANDRÉ SOLTAU Historiador na formação com estudos sobre imagem, memória e cultura contemporânea. Com diversos livros publicados, atualmente editor da ideia de outros em uma editora independente. Membro do Conselho Municipal de Cultura em Itajaí representando a Setorial de literatura.
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