A BOCA DO MUNDO

Comecei o Festival Nacional de Teatro Toni Cunha escrevendo sobre racismo e preconceito. Encerro falando de fome e exclusão social. Como disse em crônica anterior: Gosto profundamente de quem toma postura e, sem dúvida, alguns espetáculos vieram a Itajaí mexendo em feridas abertas que a humanidade teima em não ver.
Segundo a Organização das Nações Unidas aproximadamente 820 milhões de pessoas passam fome no Planeta Terra. Desses, 42 milhões estão na América Latina. No Brasil – que entrou para o mapa da fome novamente este ano – são 5,2 milhões que passam fome.
UMA EM CADA NOVE PESSOAS DORME COM FOME NO MUNDO.
A causa da fome não é falta de comida ou pobreza. A fome é negócio. Cerca de 60% das pessoas que sofrem com a fome vivem em regiões com conflitos armados que disputam terras, petróleo, minério ou posicionamento para estratégias militares.
Fome é negócio. Da produção de sementes à distribuição no varejo, as mesmas empresas comandam esse ciclo. Há limites para a agricultura familiar e não há limites para o monopólio na produção de alimentos. “Apenas 10 sociedades, entre as quais Aventis, Monsanto e Syngenta, controlam um terço do mercado mundial de sementes, 23 bilhões de dólares por ano, e 80% do mercado mundial de pesticidas, 28 bilhões de dólares. Dez outras sociedades, entre elas a Cargill, controlam 57% das vendas dos 30 maiores varejistas do mundo e representam 37% das receitas das 100 maiores sociedades fabricantes de produtos alimentícios e de bebidas” (Trecho do espetáculo Fome.doc).
Fome é negócio. A dor da fome é social. A decisão sobre a fome é política. A fome mundial é um crime sem punição aos culpados.
Negócio? Fome não é fatalidade. A decisão sobre a erradicação da fome passa pela mesa de negociações que vão da semente produzindo na terra às prateleiras do supermercado. A lei severa do mercado exclui.
Crime? Todos os dias assistimos pessoas obrigadas a migrar de suas terras expulsas por catástrofes, guerras ou exploração. Assistimos de uma distância segura que amortiza nossa consciência e nos dá alento sobre a confortável condição em que estamos.
É um paradoxo notar que os gastos militares globais continuem aumentando enquanto países destinam cada vez menos recursos para combater a fome no mundo.
Fome é negócio. E você, o que anda fazendo a respeito?
Fica a dica:
1. Projeto FOME DE QUÊ (atua em Itajaí com voluntários). Quer apoiar? Entre em contato pelo Whatsapp: 47 98424 6631
2. Espetáculo Fome.doc
Roteiro e direção: Fernando Kinas

André Soltau
ANDRÉ SOLTAU Historiador na formação com estudos sobre imagem, memória e cultura contemporânea. Com diversos livros publicados, atualmente editor da ideia de outros em uma editora independente. Membro do Conselho Municipal de Cultura em Itajaí representando a Setorial de literatura.
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