Home Colunistas Coluna Histórias de Itajaí “Vai que é pente, Pipi!”

“Vai que é pente, Pipi!”

Valmir Luís Ramos era conhecido popularmente por Pipi

Uma das lendas urbanas de Itajaí que persiste na memória coletiva é a história tragicômica do portuário Pipi. A façanha está tão viva no folclore local que merece inúmeras versões. Através de depoimentos conseguimos recuperar quatro dessas maneiras diferentes de contar essa história que se tornou uma das mais populares de nossa comunidade. Pipi nasceu em Itajaí a 18 de abril de 1940 recebendo o nome de Valmir Luís Ramos. Foi jogador de futebol profissional em Joinville, Timbó e Itajaí.
Também trabalhou no Sindicato dos Consertadores do Porto de Itajaí. Esse personagem folclórico mereceu até uma reportagem especial da consagrada revista ‘Sopa de Siri’, de onde retiramos a versão oficial contada pelo próprio protagonista.
Diz Valmir Luis Ramos em entrevista a Álvaro Castro que o episódio ocorreu no ano de 1958.‘Lá, pelas três da manhã, eu e o Fermiano tava tomando ‘umas’ num bar que ficava perto de onde hoje é o Açougue do Pedrão [Avenida Sete de Setembro], quando Fermiano me mostrou a barriga cortada de navalha, dizendo que foi o Chico – o filho do Luiz Durão. Eu já tava muito bêbado, mas corri pra cima do Chico. Tropecei no trilho do trem e recebi uma navalhada na testa e outra na parte de cima da perna direita.’
Mas, a versão oficial contada pelo próprio Valmir ‘Pipi’ não tem graça nenhuma. É apenas mais uma briga de bar entre bêbados. Por isso que o pessoal circula outras versões, onde aparece a tradicional sentença ‘Vai que é pente, Pipi!’. O próprio Álvaro Castro faz referência à versão popular de que a briga teria ocorrido no Mercado Público: ‘A história que se repete no folclore itajaiense é que o homem que brigava com Pipi, de vez em quando levava a mão no bolso traseiro como que ameaçando sacar uma navalha. Os amigos que assistiam a briga encorajavam Pipi gritando:‘Vai que é pente, Pipi!’. Pipi empolgara-se e partira para cima do homem que puxou uma navalha e com ela desferiu-lhe golpes na testa e na perna.’
Outra versão quem nos conta é Leonel Souza. Segundo ele a briga teria ocorrido no ‘Bar do Joca Torquato’ – entre as ruas Heitor Liberato e Alfredo Trompowski – quando Pipi ainda era jogador do Fiúza Lima. Pipi estava incomodando os demais fregueses e o Joca resolveu colocá-lo pra rua do seu estabelecimento. Pipi, completamente bêbado, ameaçava entrar novamente no bar e o Joca colocava a mão no bolso de trás da calça, dando a entender que iria puxar um canivete ou navalha. A turma que ‘perdia o amigo, mas não perdia a farra’, orientava: ‘Vai que é pente, Pipi!’ Como o Pipi gostava de ser popular, não querendo decepcionar seus amigos, encheu-se de coragem e encarou o Joca. Mas assim que colocou o pé dentro do bar levou diversas estocadas e o sangue melô na hora.”
O certo é que depois desse episódio a frase passou a ser referência para indicar que uma pessoa está entrando numa enroscada. Quando, em Itajaí, alguém escutar a sentença ‘Vai que é pente, Pipi!’ sai de fininho que é fria.

Compartilhe:

Deixe uma resposta

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com