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Uma cidade sem livrarias ? [parte II]

A Casa Currlin ficava na praça Vidal Ramos, em frente à igrejinha velha

De Eugen Currlin a Edir Alves, a história das livrarias de Itajaí conta-se a partir do mercado de livros físicos. Como vimos no artigo anterior, essas livrarias sofriam duas concorrências reais do mercado editorial: 1) o vendedor porta-a-porta, muitas vezes subsidiado pelo governo federal, interessado em vender edições populares contendo a ‘História Oficial’; 2) as casas editoras do Rio de Janeiro que vendiam por catálogo e entregavam via malote dos navios de cabotagem e depois pelo Correios.
Edir Alves foi o primeiro livreiro que sofreu diretamente a concorrência das edições digitais. Seu negócio era centrado na venda de livros jurídicos – já que os alunos tinham de ter em mãos, no mínimo, a íntegra da legislação brasileira. Gradativamente os alunos foram largando os pesados ‘vade-mecum’ por um simples notebook, cuja memória comportava toda a jurisprudência e legislação existentes. Edir teve de concorrer com um ‘gênio eletrônico’ de pequeno porte e não sobreviveu.
Mas esse mercado também comportou por bom tempo os populares ‘sebos’ ou livrarias de livros usados. Aqui em Itajaí tivemos dois grandes sebos. O primeiro foi o sebo ‘Casa Aberta’ que o então estudante do Curso de História da Univali – José Roberto Severino – abriu em sua própria casa, na avenida Joca Brandão. Depois a loja passou para a Casa Konder, na rua Lauro Müller, virando também livraria e editora. Fechou em 2018.
O segundo grande sebo foi idealizado pelo poeta Nilson Weber tendo sede em uma loja no Posto Universitário, na avenida Contorno Sul. O sebo de Nilson Weber sobreviveu entre 2000 e 2009 e era o que podíamos considerar um sebo perfeito, devido ao volume do seu acervo. Quase no final de sua curta existência o sebo foi transferido para a rua Samuel Heusi e ali Nilson chegou a realizar inúmeras tertúlias regadas a bom vinho. Era a nossa ‘Casa do Poeta’.
Agora, com praticamente todas as livrarias e sebos fechados, vem a notícia de que o escritor Adilson Amaral cria na internet uma livraria digital – lançada ao público oficialmente a 20 de fevereiro de 2019. Trata-se da ‘Livraria Digital Leia Brazil’ acessada no endereço eletrônico www.leiabrazil.com.br. A primeira livraria digital de Itajaí inicia com um catálogo de fôlego, contando com as presenças de autores como: Silveira Júnior, Álvaro Castro, Claudio Bersi de Souza, Magru Floriano, Lindinalva Deóla, Edison d’Ávila. Os preços praticados não deixam dúvida de que a livraria online veio para ficar.
Então estamos diante de uma nova realidade. As livrarias com estoques físicos estão dando lugar às livrarias com estoques digitais depositados nas nuvens. O volumoso ‘vade-mecum’ que fez vicejar a Livraria do Edir saiu de debaixo dos braços dos estudantes para se abrigar confortavelmente dentro de um pequeno notebook. O resto é História.
[Este texto contou com a memória de Sydney Schead dos Santos, Edison d’Ávila, Hélio Garcia dos Santos]

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