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Uma cidade sem livrarias? | Parte 1

Uma cidade sem livrarias? | Parte 1

Dia desse li no DIARINHO um artigo do professor Edison d’Ávila com o sugestivo título ‘Adeus às livrarias?’ questionando o fim das livrarias na cidade de Itajaí, já que sobrou na atualidade apenas a filial da ‘Livrarias Catarinense’ no Itajaí Shopping.
Nem a Univali, a maior universidade não-pública de Santa Catarina conseguiu manter uma livraria dentro do seu principal campus, por onde, registre-se, passam milhares de estudantes diuturnamente. Não obstante Monteiro Lobato ter sentenciado há muito que ‘Um país se faz com homens e livros’ a verdade é que o Brasil é um país de não-leitores. Se vender livro no Brasil já se constituía numa verdadeira gincana, imaginem agora, com as novas tecnologias levando o livro físico para as nuvens do mundo digital.
No Itajaí de antigamente os Currlin [Eugen e Immanuel] foram os pioneiros em dotar a cidade, em 1907, de uma livraria. Era uma filial da Papelaria e Livraria Eugen Currlin – com matriz em Blumenau. Depois a empresa passou para as mãos do polêmico Juventino Linhares e, assim, conseguiu sobreviver até 1930. Naquele tempo os Currlin já sofriam a forte concorrência dos vendedores porta-a-porta e das casas editoras do Rio de Janeiro, que vendiam por catálogo e enviavam os exemplares pelos navios de cabotagem que faziam regularmente o trajeto Rio de Janeiro – Itajaí. Em seguida o professor Francisco Rangel teve a iniciativa de montar a ‘Livraria Rangel’ que sobreviveu entre os anos de 1930-1960.
No tempo da ditadura os governantes incentivaram as casas editoras a publicarem versões populares de enciclopédias e livros de cultura geral, principalmente aqueles contando a tal ‘História Oficial’ do Brasil. Meu pai tinha maior orgulho por ter comprado na década de 60 a enciclopédia ‘História do Brasil’ dos ‘Irmãos Maristas’ cantando loas ao regime implantado em 1964. Eram edições subsidiadas pelo governo federal, possibilitando preços muito baixos justamente para viabilizar a aquisição por famílias de classe média. Essas edições ‘ideologicamente comprometidas’ foram espalhadas pelo Brasil através de uma rede de vendedores porta-a-porta bem remunerada.
Nessa mesma década surgem as primeiras faculdades em Itajaí e junto com elas a ‘Livraria Universitária’ do Higino Oltramari que durou apenas de 1966 a 1968. Em seguida surge a ‘Livraria Santos’ do Waldemiro Cesário dos Santos. A livraria ficava na Galeria Edifício Rio do Ouro e foi nossa referência em diversas edições da FECOLI – Feira Colegial do Livro – promovidas pelo GESI – Grêmio Estudantil do Colégio Salesiano Itajaí. A Livraria Santos sobreviveu até o final da década de 1980, dando lugar no mercado à Livraria do Edir Alves – que fechou suas portas recentemente, após ter obtido grande sucesso a ponto de ter duas filiais dentro do Campus da Univali, com a matriz instalada no Centro Comercial Marcílio Dias. Seu negócio principal era a venda de livros jurídicos. Negócio que foi minguando na mesma velocidade que os acadêmicos de Direito migravam dos livros físicos para edições digitais. No lugar dos pesados ‘vade-mecum’, começaram a trazer na mochila apenas um notebook. Junto com a Livraria do Edir sucumbiu a rede que lhe pretendia fazer concorrência: Livrarias Época – com lojas na Rua Uruguai e na Pedro Ferreira. [continua].

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