Um príncipe em Itajaí

Itajaí era uma pequena cidade do interior em 1958

Lá pela década de 1950 Itajaí ainda era considerada uma pacata cidade interiorana, com suas ‘moiçolas casadouras’ sonhando com a chegada do seu príncipe encantado. Eis que repentinamente, não se sabe de onde, chega à cidade um jovem simpático, elegante, falante… dizendo-se príncipe húngaro, aviador e herói das Forças Aliadas que atuaram na Segunda Grande Guerra.
Logo obteve a simpatia da elite local, arrebatando os corações das mocinhas românticas e os bolsos de seus pais. Depois de aplicar diversos golpes, deixou a cidade sorrateiramente. Seu paradeiro só foi descoberto quase uma década depois pelo jornal O Popular: respondia pelo pomposo cargo de ministro das finanças de um país da América Central e veio ao Brasil casar com uma moça rica da Bahia.
Segundo o jornal O Popular de 15 de abril de 1958, o nome do príncipe picareta era Ladislau “Aquêle que levou a efeito, aqui em Itajaí, nesta terra hospitaleira e boa, uma das mais notáveis ‘filipetas’ de que se tem notícia … Que se associou a muita gente endinheirada de nossa Cidade, prometendo-lhe lucros fabulosos. Gente que, com honorabilíssimas exceções, se recusa a dar a mão a um conterrâneo idôneo, honesto e trabalhador, para início de uma carreira honrada, mas que se desdobra em generosidade, ajudando a um vigarista internacional.”
Vô Doca garante que chegou a transportar o tal príncipe em seu carro de mola. Ele era alto, magro e só andava com ternos claros. Às vezes andava de luvas brancas, chapéu e bengala reta. Segundo contava, parece que Ladislau andou vendendo ações de empresas metalúrgicas alemãs e belgas para os empresários locais. Mas só depois que ele deixou a cidade é que se descobriu que eram papéis falsos, apesar de muito bem impressos. O golpe ficou meio que no anonimato porque a maioria das vítimas preferiu ficar em silêncio para não passar vergonha. Afinal, cair em um golpe de príncipe, em pleno Século 20, era mais incrível que um conto de fadas.
Os proprietários do jornal O Popular, Vendelino Hobold e Abílio Ramos, cansados de pedir ajuda aos empresários para manter a imprensa local, aproveitaram o aparecimento de Ladislau nas páginas dos jornais do Rio de Janeiro para tirar aquela casquinha com os empresários de Itajaí que caíram no golpe do Príncipe: “Descansem, pois, seus ‘sócios’, que seu precioso dinheiro está em boas mãos … E por que não se dará a uma rua local o nome de RUA PRÍNCIPE LADISLAU?!”
Pelo jeito a sugestão não foi acatada pelos muitos ‘sócios’ do herói húngaro, porque até onde sei, nunca vi uma rua em Itajaí com o nome de rua Príncipe Ladislau.

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