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República gosta é de imposto

Nosso primeiro governador também gostava de cobrar impostos

Os cidadãos brasileiros há muito estão cansados de pagar impostos sem que te­nham o devido retorno por parte da Administração Pú­blica. (…) A verdade é que a República sempre gostou de cobrar impostos e os agen­tes públicos sempre gostaram de desviar uma boa parcela dos valores arrecadados para seus próprios bolsos. Nisso resulta uma equação perver­sa: o Estado sempre necessita cobrar mais impostos e o ci­dadão sente que essa medida não resolve problema algum.

A Câmara de Vereadores de Itajaí aderiu oficialmen­te ao regime republicano na sessão ordinária de 26 de de­zembro de 1889. A 7 de ja­neiro de 1890, o governador Lauro Severiano Müller dis­solveu a Câmara e criou o Conselho de Intendência Mu­nicipal, nomeando sete novos conselheiros. Acontece que na primeira sessão após a so­lenidade de posse, os senho­res conselheiros tomaram a decisão de criar o imposto de dois por cento sobre produ­tos exportados e um por cen­to sobre os importados pelo porto de Itajaí.

Os usuários do porto, li­derados por comerciantes de Blumenau, promoveram pressão sobre o governador que, logo em seguida, desfez a decisão do Conselho tor­nando sem efeito o primeiro imposto republicano de Ita­jaí. Os conselheiros ficaram indignados com o governador e atritados com todos os co­merciantes do Vale do Itajaí.

Diante do ambiente confli­tante, o presidente do Conse­lho – Emanoel Pereira Libera­to – pediu demissão a 21 de junho de 1890 e desencadeou para valer a primeira grande crise política do regime repu­blicano em Itajaí, que iria de­saguar na adesão de republi­canos históricos à Revolução Federalista.

Se os conselheiros de Itajaí não lograram êxito em cobrar imposto municipal sobre as atividades portuárias, isso não significou que os empresários do Vale do Itajaí tenham leva­do vantagem fiscal. Aconte­ce que o governador anulou o imposto itajaiense porque ele próprio aprimorou, e mui­to, a máquina de arrecadação do Estado de Santa Catarina, criando impostos sobre ativi­dades de exportação/importa­ção e até aumentando as taxas de praticagem e outros servi­ços essências oferecidos pelo porto. Lauro Müller criou pos­tos de fiscalização nas divisas com os demais estados e apri­morou o poder do Estado em arrecadar cada vez mais.

Então está dito que aumen­tar imposto está no DNA da República e a corrupção está no DNA dos políticos brasilei­ros. Imposto e Corrupção são irmãos republicanos siame­ses. Todo político que durante uma campanha eleitoral pro­mete acabar com a corrupção e cobrar menos imposto é sim­plesmente um grande mentiro­so que atenta contra a nature­za da própria República. Daí que o lema Positivista ‘Amor, Ordem e Progresso’ que pas­sou para a nossa bandeira com a supressão do Amor, fican­do apenas ‘Ordem e Progres­so’ deveria ter a redação final: ‘Ordem, Progresso e Amor ao Imposto.

 

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