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Pescando no centro de Itajaí

Tilápias pescadas entre as ruas Uruguai e Treze de Maio, em pleno centro de Itajaí – enchente 2008. (1)

Outro dia via na internet um pequeno macaco pegando carona nas costas de um pássaro em pleno voo e as imagens de dois pescadores que estavam em apuros porque os peixes pulavam espontaneamente para dentro do barco em grande quantidade.
Vendo essas imagens lembrei que num passado não muito distante, principalmente durante uma pescaria ou caçada, ocorriam fatos surpreendentes que não podiam ser relatados sem o protagonista correr o risco de ser alvo da ironia geral.
Nos dias atuais tudo ficou mais fácil, por conta das novas tecnologias que processam fotos e imagens em alta resolução, jogando-as na rede em tempo real. Mas no tempo antigo a história dependia exclusivamente do testemunho do pescador ou caçador que teve a oportunidade de presenciar o fato inusitado. Muitas vezes a pessoa deixava de contar uma boa história para não ficar com a pecha de mentiroso junto aos amigos.
Certa feita eu estava pescando atrás da Ilha de Porto Belo com o meu cunhado Luis Lázzaris Fernandes e voltamos, depois de quatro horas ininterruptas de pescaria, com o samburá vazio. Quando ‘imbicamos’ o barco para dar entrada na barra do pequeno rio que dá acesso à rampa pública senti uma lambada nas costas, tendo a sensação de que um objeto pontiagudo havia me atingido com força. Imediatamente coloquei a mão no local atingido e olhei para trás. Nisso fui surpreendido com uma imagem inusitada: uma tainha de grande porte se debatendo no fundo do barco. Ato contínuo, mais três pularam para dentro do nosso barco. A pescaria estava tão promissora que resolvemos desligar o motor do barco e ficar à deriva no canal, arriscando a sorte por mais meia hora. Resumo da estória: voltamos para casa com o samburá forrado.
Na enchente de 2008 ocorreram pescarias em praticamente todas as ruas do centro urbano da cidade de Itajaí. Eu, particularmente, fui testemunha de pescarias nas ruas Brusque, Uruguai, Treze de Maio e João Bauer. Mas ouvi relatos de pessoas que pescaram em plena rua Hercílio Luz.
Isso foi possível porque os pequenos açudes e lagoas de engorda de peixes existentes na bacia do Itajaí-Mirim romperam com a força da água e despejaram grande quantidade de tilápia, bagre africano e carpa pelas ruas da cidade.
Mas, vou ser sincero com vocês, só estou contando essa história porque, na ocasião, tive oportunidade de tirar uma foto do pessoal pescando. Por isso mesmo, peço encarecidamente aos editores do nosso prestigioso DIARIão publicarem esse relato sem a referida foto, porque não quero passar por mentiroso. Isso não!

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