Home Colunistas Coluna Histórias de Itajaí Ouro enterrado na Praça Vidal Ramos

Ouro enterrado na Praça Vidal Ramos

A trajetó­ria de desenvolvimento à bei­ra do rio Itajaí numa localida­de conhecida como Estaleiro – hoje conhecida como Praça Vidal Ramos. Quando Agosti­nho Alves Ramos chegou por aqui, entre 1822 e 1824, com­prou um terreno nesse local e ali também montou seu pró­prio estaleiro para praticar a arte tradicional da carpintaria de ribeira que muita fama em­prestou para a nossa comuni­dade no antigamente.

Foi essa fama que trouxe para o ‘Estaleiro’ uma grande embarcação que ficou conhe­cida de todos como ‘Polaca’ e nos legou a lenda da arca de ouro enterrada na Praça Vidal Ramos.

O ancião Antônio da Cos­ta Flores ao relatar suas me­mórias sobre Itajaí a partir de 1840, publicadas por Pedro Ferreira e Silva no jornal No­vidades de 1907, faz referên­cia a uma grande embarcação estrangeira que aqui permane­ceu por longo período visando promover reparos em sua es­trutura.

Diz Antônio da Costa Flo­res: “Pouco depois de eu estar aqui, chegou para ser conser­tada uma ’Polaca’ (…) foi pu­xada para o lugar em que está hoje o jardim fronteiro à ma­triz; dizia-se que era de Gê­nova e vinha não sei se de Montevidéu ou Buenos Aires; pertencia a um tal ‘Balão’ que trouxe nela muitos homens (…) e o material necessário para construção de navio, ex­ceto madeira. Para agasalhar essa gente foi construído um vasto rancho no lugar (…). Os consertos da ‘Polaca’ fo­ram muito consideráveis; du­raram bastante tempo; muitas pessoas aqui tiveram de auxi­liá-los, procurando madeiras pelos nossos matos, trazendo e fazendo outros serviços. Os pagamentos eram feitos em di­nheiro de ouro. Itajaí nunca ti­nha visto tanta animação no trabalho e circular tanto di­nheiro’.

Muitos anos depois, Vô Doca também me garantiu ter ouvido alguns passageiros do seu carro de molas [táxi da época] insistirem com a ideia de que o proprietário da ‘Po­laca’, um tal de ‘Barão’, com medo de ser assaltado, havia enterrado um baú abarrotado de moedas de ouro em pleno ‘Largo da Matriz’ – hoje Praça Vidal Ramos.

Agora, recentemente, quan­do o Aducci resolveu por abaixo o prédio da antiga Cia Asseburg, no lado direito da praça, eu fiquei de olho em tudo. Lembrei-me do Vô Doca e da convicção que me passa­va sobre as moedas de ouro enterradas no local. Perdi ho­ras vendo as máquinas tra­balhando e ouro que é bom nada. Se bem que as máqui­nas não ‘cavocaram’ fundo o terreno…. e até me passou pela veneta de pegar uma pá para fazer uns buracos por ali de madrugada, tentando a sor­te grande.

Se o tal ‘Balão’ [ou ‘Barão’] enterrou ou não um baú cheio de moedas de ouro na Praça Vidal Ramos, só gerações fu­turas poderão confirmar ou desmentir. Será no tempo em que os proprietários resolve­rem construir por ali um edi­fício e ‘cavocarem’ mais fundo todo o terreno. Até lá fica va­lendo a lenda do ouro da Po­laca enterrado na Praça Vidal Ramos. Afinal, como diz o dito popular: ‘Se ninguém conse­gue desmentir, mentira não é”.

Compartilhe:

Deixe uma resposta

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com